No ano 303 da era cristã, o imperador Diocleciano ordenou que os líderes cristãos entregassem seus livros – possivelmente parte da Escritura que temos hoje – para serem queimados como prova de sua fidelidade ao governo, e também para não sofrerem consequências das perseguições – morte – desta forma negando sua fé. Os líderes que agiram assim ficaram conhecidos como traditores (aqueles que entregam ou entregaram). É bem possível que a palavra traidor venha desta raiz.

Porém, aqueles que obedeceram a Diocleciano não entregaram apenas livros, mas também os irmãos na fé que se recusaram a agir contra o edito do imperador. O resultado foi uma sangrenta perseguição. Quando não eram mortos, os crentes fiéis eram multilados.

O livro História do Cristianismo, por A. Knight e W. Anglin, cita parte desta história. Lê-se que “Antino, bispo de Nicomédia foi decapitado. Muitos foram executados, outros queimados, outros amarrados e com pedras atadas ao pescoço levados em botes para o meio do lago, e ali lançados à água”.

Passado o tempo da perseguição, debaixo do governo de Constantino, os traditores – aqueles que entregaram – voltavam para as reuniões da igreja, para os cultos, pedindo desculpas ao seus irmãos que, agora, estavam multilados, haviam perdido – senão todos – alguns dos entes queridos. Os irmãos com as marcas das perseguições em sua alma e corpo agiram como cristãos, perdoando os traditores.

Em um país livre como o Brasil, e que goza de liberdade religiosa para professar sua fé e se reunir com pessoas da mesma crença, fica às vezes complicado se colocar no lugar dos irmãos que sofreram perseguições, e neste caso ainda mais, traídos.

O que nota-se na vida daqueles homens e mulheres de Deus foi sua disposição, mesmo que debaixo de tamanha perseguição, a continuarem se reunindo como igreja para proclamar a glória e graça do Deus que os resgatou das trevas para a sua maravilhosa luz. Eram resolutos mesmo debaixo de tamanha perseguição irem às reuniões de culto, mesmo não tendo um braço, uma perna, tendo os olhos vazados, perdido seus entes e bens e ainda correndo o risco de morrerem – que ocorreu com muitos.

Cora-me o fato de que eu, muitas vezes deixei de reunir-me com a igreja por coisas frívolas: uma dor de cabeça (que se houvesse tomado dipirona haveria resolvido); uma chuva de nada, ou porque estava magoado com alguém.

A análise que eu faço disto é que, possivelmente, primeiro, eu não entendia realmente a fé que eu professava e que há certos custos para viver com Cristo, que negar a si mesmo é questão que não pode ser deixada para trás; segundo que, aliado ao primeiro, minha fé necessitava ser amadurecida, mas que para isso ocorresse era necessário justamente “engolir meu eu a seco” e reunir-me com meus irmãos.

A salvação não nos custa nada, mas o discipulado irá nos custar tudo!!

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