“No coral quero cantar, declarar que Ele é Santo, Santo / Infinitamente adorar, dizendo que Jesus é Santo, Santo / Na composição do céu, vai cantar quem for fiel / O hino da Vitória será o meu troféu”

Essa é parte de uma canção bem conhecida no cenário gospel. Parte dela afirma o que muitos cristãos alimentam em sua imaginação de como será a eternidade com Cristo: descansar eternamente, cantando apenas num coral com os anjos.

Uma vez, na minha adolescência, ouvi de um colega não crente, mais ou menos o seguinte: “se a visão dos crentes é ir para o céu pra ficar cantando com os anjos, de olhos fechados, esse céu de vocês é chato pra caramba. Eu não quero um céu assim”.

Minha visão a respeito da eternidade com Cristo é bem diferente do conceito enunciado acima pelo meu colega e que está ainda no imaginário de muitos cristãos. Creio que na eternidade, os salvos terão muito o que fazer! Eis algumas razões para isso, das quais farei uma conclusão e algumas aplicações.

1. RECOMPENSA – O GALARDÃO

O Apóstolo Paulo demonstra que o trabalho de edificação da igreja resultará em recompensa na eternidade. Um exemplo disto é o verso 14 do capítulo 3 de 1 Coríntios. Diz o texto: “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão”.

O texto mostra que a obra será provada pelo fogo; e os materiais usados serão testados pelo fogo. Se as obras de alguém resistirem ao fogo, ele receberá a recompensa.

O autor de Hebreus também demonstra que Deus não é injusto para esquecer-se das obras realizadas por amor em serviço aos santos.

“Porque Deus não é injusto, para se esquecer da vossa obra, e do amor que para com o seu nome mostrastes, porquanto servistes aos santos, e ainda os servis”. Hb. 6.10.

Ainda, Jesus parece demonstrar que há graus de recompensa (semelhantemente à parábola dos talentos e das minas) em Mateus 5.40-42. As palavras “galardão de profeta” e “galardão de justo” demonstram que pelo menos há graus diferentes de recompensas, embora não saibamos como estas são.

Em Mateus 19.29, Jesus menciona que aqueles que o seguirem tendo deixado para trás tudo por causa do seu nome (o contexto fala de apego às riquezas e tudo que é passageiro), receberão muitas vezes mais e herdarão a vida eterna.

As cartas às sete igrejas do Apocalipse demonstram também que há recompensas por fidelidade ao Senhor e à sua obra. Ap. 2.7; 2.10; 2.17; 2.26-27; 3.12; 3.21.

2. TESOUROS NO CÉU

O sermão do Monte é um dos sermões mais longos de Jesus, senão o mais longo.

No sermão do monte, Jesus não está dizendo que para nos tornarmos seus discípulos devemos agir do modo como é demonstrado no capítulo 5 até o 7, mas ao contrário, o significado é: se vocês são meus discípulos é desta forma que vocês irão comportar-se.

No capítulo 6 de Mateus há uma espécie de comportamentos que permeiam todo o ser humano, sua vida piedosa demonstrada na prática da justiça, no comportamento, disposição na oração, e cuidados desta vida. Nos versos 19 ao 21 é dito para não ajuntarmos tesouros nesta vida onde a traça e a ferrugem corroem e os ladrões roubam, mas devemos ajuntar nos céus onde este males não os atingirão.

3. O REINO DE DEUS É COMO…

O Senhor Jesus para explicar como é o Reino de Deus fez uso de parábolas.

Não é consenso entre muitos teólogos se as parábolas são histórias reais que Jesus usou para falar a respeito do Reino, ou apenas estórias ilustradas para exemplificar como é o Reino, ou ainda um mix destes dois pontos.

Parábolas são pequenas ilustrações para demonstrar verdades e implicações importantes. As verdades contidas nas parábolas são únicas, as aplicações, obviamente, podem variar.

Diversas parábolas ele menciona a recompensa medida pelo trabalho realizado:

A. Parábola dos Talentos (Mt. 25.14-30)
B. Parábola do servo diligente (Lc. 12.42-48; Mt. 24.45-51)
C. Parábola das dez Minas (Lc. 19.11-27)

É curioso em particular a parábola dos talentos e das minas, onde a expressão “foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei” é, “a todo o que tem dar-se-lhe-á; mas ao que não tem, o que tem lhe será tirado”.

4. O PROPÓSITO DE DEUS NA CRIAÇÃO

Quando o Senhor criou o homem, o plantou num jardim e junto a isto lhe deu trabalho. Lemos em Gênesis que o Senhor disse ao homem para arar a terra e cultivá-la. Trabalho foi uma das primeiras coisas que o Senhor concedeu ao homem.

Sendo o homem aquele que deveria ser o sub-regente da criação, representante de Deus feito à Sua imagem e semelhança, como um Deus que sempre trabalha, também concedeu ao homem o privilégio de O servir e o adorar com as obras de Suas mãos.

5. A PAROUSIA, A CIDADE E OS HABITANTES

Nos capítulos 21 e 22 de Apocalipse vemos o cumprimento da história. Novos céus e nova terra e uma nova cidade, a Jerusalém Celestial, seus habitantes morando eternamente com o Senhor. Nesta cidade, o capítulo 22.3 diz que os servos de Deus O servirão. A palavra no grego para serviço aqui é latreio, que significa tanto um serviço prestado por um trabalhador / escravo quanto render adoração.

O verso 12 diz que a vinda do Senhor é sem demora e com Ele está a recompensa, o galardão que tem para retribuir a casa um segundo as suas obras.

Na parousia e nos novos céus e nova terra, vemos como se o propósito de Deus na criação em Genesis fosse restaurado. Não consigo ver isso de forma diferente.

CONCLUSÃO

Há recompensa para os justos segundo as suas obras. Os salvos serão recompensados de acordo com o trabalho, o serviço feito aqui na terra em prol do Reino de Deus, por amor a Ele e aos santos. Não sabemos no entanto como é a forma desta recompensa, como ela se parece. Mas vemos, como já demonstrado, que haverá graus diferentes de recompensa.

As parábolas de Jesus, principalmente as relacionadas a recompensa mediante trabalho, nos mostram pelo menos que nosso comportamento aqui terra é uma demonstração da expectativa do que teremos na eternidade. As palavras “foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei” aponta para o fato de que o salvos terão recompensa proporcional à sua fidelidade e ao serviço prestado.

O galardão parece ser um mix de recompensa, gratificação pela fidelidade ao Senhor e sua obra, bem como uma “promoção” – (sobre o muito te colocarei) – para trabalhar coisas maiores e mais excelentes.

APLICAÇÃO

Se entendessemos melhor o quão sério deve ser a nossa disposição de servir a Deus aqui, seríamos mais diligentes em muitas coisas relacionadas ao Reino de Deus.

Não nos preocuparíamos tanto com as coisas desta vida, mas ajuntaríamos tesouros nos céu, e o faríamos por amor a Deus e aos santos. Seríamos mais diligentes na obra do Senhor, pois os tesouros do céu não podem ser destruídos.

Nosso Senhor continua trabalhando. Nós trabalharemos para Ele.

Concordo com meu colega não cristão que se a vida no céu resumir-se em cantar alguns hinos diante de Deus, será uma coisa monótona.

Creio que os salvos servirão a Deus, o adorarão com seus feitos e serviço, contemplando Sua face eternamente.

Deus trabalha. Nosso Senhor Jesus trabalha. Seus filhos devem trabalhar.

Um crente preguiçoso é uma contradição. Preguiça é pecado, a Bíblia já o declara.

Em Cristo,

Pr Anderson Alcides

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