Por Starr Meade
Traduzidor por: Anderson Alcides

“Quando meus filhos tiverem crescido, uma coisa que eu quero que levem com eles é…”

COMO UM PAI AMERICANO COMUM RESPONDERIA A ESTA PERGUNTA?

As respostas certamente irão variar, mas com que frequência nós ouvimos um pai dizer: “Eu quero que meu filho aprenda piedade em nossa família?”
Até mesmo pais cristãos dariam uma resposta dessa? Uma definição de piedade é “devoção aos deveres religiosos”. A observância fiel do dever em uma cultura tão orientada para os sentidos quanto a nossa parece menos interessante. Ainda assim, devoção ao dever assegura que o que é certo e importante deve ser feito, no entanto, nós sentimos no momento. Devoção ao dever é parte de um bom caráter, e devoção ao dever religião-piedade é parte essencial de um caráter piedoso.

Piedade familiar precisa começar com o conhecimento do único Deus, o que significa conhecer Deus da forma como ele revelou a si mesmo na Bíblia.

Se esta é a verdadeira piedade, isso não irá parar e ficar vago, mas irá se estender em nosso comprometimento diário para viver à luz da revelação de Deus, vendo o mundo como Deus vê, amando o que Ele ama, e vivendo para ver e mostrar Sua Glória.

Muitos equívocos comuns sobre o que é melhor para os filhos ameaçam tirar dos trilhos o treinamento deles neste tipo de piedade se o aceitássemos sem refletir. Então, quais são estes erros e como eles nos impedem de praticar a piedade em nossas famílias?

Erro 1: “Boa paternidade é centralizada na criança”

Cada vez mais, os pais considerados os mais exemplares são aqueles que dão mais aos seus filhos. Na verdade, sempre foi verdade que bons pais devem dar, dar e dar, até mesmo sem o prazer que gostariam de ter, para que as necessidades dos filhos sejam saciadas. Todavia, hoje, com frequência nós consideramos bons pais como aqueles que dão aos filhos não somente o que eles precisam mas o que eles querem também. A medida de um bom pai é definida pela velocidade com que ele ou ela está inclinado a deixar de lado outras preocupações para fazer o que a criança gostaria de fazer.

“Acabei de começar meu jantar e meu filho, sem fome, quer sair pra brincar. Se eu sou um bom pai, deixarei meu jantar e vou sair pra brincar com ele. Eu estou no meio de uma conversa com alguém quando meus filhos começam a puxar a minha manga pedindo minha atenção. Já que eu sou um bom pai, eu peço licença da conversa para ouvir o pedido do meu filho. Meu marido e eu gostaríamos de passar um tempo juntos, mas meus filhos não querem ter alguém pra cuidar deles, então ficamos em casa. É o Dia do Senhor e eu quero ir para o culto, mas meus filhos não gostam de ir para a igreja, portanto nós vamos apenas a Escola Bíblia e depois vamos embora”.

Paternidade focada na criança pode ser uma tentação de proteger contra tempo inadequado de ensino, treinamento, amor e desfrute dos filhos. Mas paternidade vai ao extremo oposto e começa a se tornar erroneamente centrada na criança quando as preferências dela são mais frequentemente usadas como critério de escolha dos pais.

A paternidade centrada na criança falha em dois lados. O primeiro, falha em preparar a criança para a vida no mundo real. Conforme os filhos crescem, eles encontram colegas de jogos, professores, chefes e esposas ou esposos que não darão suporte a todas as suas escolhas e preferências.

Se a criança espera ter todos os seus desejos cumpridos por outros, então eles serão preparados unicamente para o desapontamento. Segundo e mais importante, a paternidade centrada na criança falha em treiná-la na piedade. Pais devem ser modelos para mostrar que Deus e sua vontade é suprema. Embora parte das responsabilidades dadas por Deus aos pais incluem dar tempo e atenção às preocupações dos filhos, Ele também deu outras responsabilidades da mesma forma. Pais piedosos fazem Deus o Centro, não os filhos.

“Eu ligo para a babá e passo tempo com meu marido se a criança gosta disso ou não, porque Deus me chamou para ser uma esposa. Nós vamos ao culto como família se meus filhos preferem fazer alguma coisa diferente ou não porque Deus nos chamou para O adorar com o Seu povo”.

Filhos, também, precisam ser treinados desde cedo a ter consideração uns pelos outros e especialmente Deus – mais do que a si mesmos. Precisam aprender a falar somente quando alguém terminar, aprender a se divertirem sozinhos pois, papai e mamãe precisam fazer algo agora mesmo, precisam aprender a deixar de lado suas preferências e desejos em favor do outro – tudo isso é parte do treinamento requerido para preparar os filhos para viverem a vida para a Glória de Deus mais do que satisfação imediata dos seus próprios desejos.

Erro 2: “O elemento mais importante do ensino espiritual da criança é a diversão dela”

Como professora de Bíblia em uma escola cristã, eu estou estarrecida como muitos pais parecem satisfeitos em ensinar seus filhos a sentirem-se bem com um Deus que cuida de nós e responde nossas orações e como poucos preocupam-se em ensiná-los a conhecer o Deus da Bíblia. Crianças tem crescido em igrejas com programas desenvolvidos para elas e elas tem se divertido, mas conhecem muito pouco sobre a Bíblia e o caráter de Deus.

Piedade deve começar com o conhecimento do único Deus verdadeiro, o que significa conhecer Deus da forma como Ele revelou a si mesmo na Bíblia.

Ainda assim há um sentimento anti-intelectualista em muitos círculos evangélicos que fazem virtudes o amor e o realizar, enquanto na verdade desprezam o aprendizado e conhecimento. Doutrina e conhecimento acadêmico são contrastados com amor sentimental por Jesus, como se pudéssemos ter um ou outro, mas não ambos. Embora alguém possa conhecer muito sobre Deus sem amá-lo, ninguém pode amar o verdadeiro Deus sem conhecê-lo. E já que o verdadeiro Deus escolheu revelar-se a nós nas páginas da Bíblia, não podemos conhecê-lo sem estudo.

Um dos meios mais importantes de ensinar as crianças a respeito do Deus da Bíblia é ler a Bíblia com e para eles. Outro meio muito importante é ensinar a fé cristã por meio de um bom catecismo. Um catecismo pega as doutrinas principais da fé cristã e as apresenta através de perguntas e respostas. Seu valor reside em declarar verdades bíblicas claramente em frases concisas e fáceis de serem lembradas.

Uma das objeções em usar catecismos é que eles dependem de uma aprendizagem habituada, aparentemente vazia de significado para o aprendiz. De fato, catecismos usam aprendizagem que segue rotina, mas aprendizagem com rotina é na verdade um dos meios e métodos mais efetivos, especialmente para crianças. Você ainda lembra do alfabeto, tabuada, canções e cantigas de crianças? Como você aprendeu? No entanto, aprender um catecismo não tem que ser meramente uma rotina chata, desde que pais e professores possam e devam investir tempo e terem certeza que as crianças entendam o significado de cada resposta e possam buscar sua fonte espiritual.

Estudo e memorização catequética nem sempre são divertidos, mas frequentemente requerem trabalho duro e diligência. Mas Deus nos deu Sua Palavra e nos chama para tal diligência e trabalho duro para que possamos O conhecer. Envolver as crianças quando ensinamos é importante se quisermos que nossos filhos gostem de aprender; ainda assim nunca deveríamos fazer da diversão das nossas crianças a prioridade em nossos cultos, escola bíblicas, escola de férias ou devoções familiares. Solidez e essência intelectual retiradas das proposições bíblicas que Deus nos dá na Escritura deve ser nossa prioridade máxima conforme aplicamos os fundamentos nos quais nossos filhos construirão suas vidas e piedade diante de Deus.

Erro 3: “O objetivo da edução é uma carreira lucrativa”

Eu conheço muitos pais que se preocupam que a educação seja prática, embalada com habilidades que seu filhos adquirirão e serão capazes de usar, especialmente em ganhar a vida. Raro é o pai que compreende os valores da educação como aquela que mais desenvolverá de forma plena o potencial de seu filho como ser humano criado à imagem de Deus para mostrar Sua Glória.

Os antigos romanos, tendo conquistado o mundo conhecido, tinham escravos que faziam seus trabalhos para eles. Consequentemente, eles não precisavam de nenhum treinamento vocacional. Ao invés disso, eles precisavam ensinar seus filhos (que eram pessoas livres ou liberi – de onde tiramos o conceito de “artes liberais”) de como fazer uso sábio do tempo livre. Sua educação, assim, focada naquelas coisas que colocam os seres humanos à parte das outras criaturas, ou seja, história da humanidade, idiomas, filosofia, arte, música e literatura. Eles acreditavam que uma vez que seus filhos fossem educados neste modo, eles seriam capazes de reconhecer, valorizar e criar o que fosse bom, verdadeiro e belo.

Muitos séculos mais tarde, o poeta puritano John Milton, valorizando plenamente as humanidades, adicionou esta verdade ao objetivo da educação para reparar as ruínas criadas pela queda. Ele acreditava que a educação deveria ensinar as pessoas a conhecer, amar e imitar seu Criador. Em outras palavras, estudando as humanidades de forma cristã ajudaria outros a se tornarem verdadeiramente humanos do modo como Deus planejou. Ainda mais tarde, no século XVIII, o teólogo e filósofo Jonathan Edwards escreveu que o fim de tudo o que fazemos, incluindo estudo acadêmico, deveria ser para contemplar e saborear a glória de Deus em tudo o que Ele fez.

Qualquer que seja a educação escolhida para nossos filhos, nós devemos perceber que eles gastam uma grande porção (talvez a maior porção) de suas vidas absorvendo o que nós escolhemos para eles. Assim, temos questionado a nós mesmos se eles têm sido adequadamente educados para verem a glória de Deus em cada disciplina acadêmica que eles encontram?

Nós estamos ensinando-os a trabalharem diligentemente, não apenas para adquirirem habilidades que poderão usar algum dia em seu trabalho, mas também aquelas tarefas que requerem rigor intelectual que podem enriquecer suas vidas e fazer deles seres humanos plenos? Nós estamos fielmente lembrando nossos filhos, pelas nossas palavras e obras, que nós estamos exigindo essas coisas para que eles possam ver mais plenamente a Glória de Deus e mostrá-la à sua geração?

Erro 4: “A prioridade máxima de uma família deveria ser envolvimento nas atividades de seus filhos”

Crianças hoje tem muitas coisas para fazer. A maioria das famílias americanas parecem acreditar que o melhor pai é aquele cuja criança está envolvida em muitas atividades. Futebol, beisebol, dança, ginástica, aulas de música, aulas de arte – para muitas famílias, a lista é muita longa e o carro da família está sempre de um lado para o outro levando-
as para essas atividades. Certamente, essas atividades são dons de Deus para serem usufruídos. A Escritura ensina que o que façamos deve ser feito para a glória de Deus e coloca o exercício físico, competição, arte e música de modo positivo. No entanto, a Escritura não as menciona com frequência. O que é repetido enfaticamente como digno do nosso tempo e atenção, que nos chama a amar e valorizar, que é pauta em cada ângulo concebível é a Igreja que Cristo redimiu com seu próprio sangue.

Considerando a tremenda importância como o Novo Testamento coloca sobre a Igreja de Cristo, verdadeira piedade familiar – devoção aos deveres religiosos – deve incluir o compromisso de uma família com o corpo local da igreja. Quando uma família está tão ocupada com as atividades dos filhos que precisa levar o domingo como um dia para ficar em casas juntos como família e descansar, ou quando essas atividades tomam lugar em um domingo e que devem ser atendidas, impedindo que se reúnam com a igreja,
a família não está vendo como Deus vê e amando o que Cristo ama.

Crianças podem aprender muito cedo que o corpo da igreja é sua família e que o povo de Deus são seu povo. Eles podem aprender que adoração e encontro com o povo de Deus são na verdade a prioridade máxima, deveres dados por Deus – que não podem ser colocados de lado. Pais fiéis podem dar o exemplo de envolvimento na igreja local e assegurarem que seus filhos, embora jovens, possam ter algum meio para eles mesmos servirem.

Erro 5: “Igreja é para adultos”

Tenho certeza de que nenhum pai ou pastor jamais diria que igreja é para adultos e não para crianças. Ainda assim, considerando os pressupostos, muitos fazem com que os filhos “tenham nada a ver” com o culto, e julgando pelo modo como muitos sermões parecem ser direcionados para os adultos, parece que nós assumimos que o culto, ao menos, é apenas para adultos.

A maioria dos pastores e igrejas poderiam fazer muito mais incluindo as crianças na igreja. Sermões não devem ser “bobões” porque as crianças estão na congregação, mas pastores podem lembrar dar crianças enquanto preparam o sermões e assim trabalhar numa ilustração ou explicação que as ajudará a ter foco no principal ponto e serem capazes de discutir o sermão com seus pais em casa. Líderes de louvor podem usar um momento para explicar um verso ou dois de um hino antes de cantá-lo para ajudar não somente adultos mas as crianças entenderem as palavras cantadas.

Frequentemente é dito que as crianças são a igreja de amanhã. Elas certamente são e todos nós que nos comprometemos com a Igreja de Deus farão bem em lembrarmos disto. Mas não devemos também ter em mente que as crianças entre nós são parte da igreja de hoje. Devemos trabalhar duro para incluí-las agora para que queiram estar conosco mais tarde.

Pais podem ensinar seus filhos que Deus exige seu envolvimento com a igreja. Eles podem mostrar o exemplo por fielmente trazerem seus filhos para o culto a cada semana. Mas é apenas a Igreja em si – o povo de Deus que as crianças vêem a cada domingo – que pode fazer que estas crianças sintam que pertencem a este povo, que podem ajudá-los a querer estar no meio deste povo, dedicados a este dever religioso especial de envolvimento com a Igreja. Participação fiel na Igreja é também importante para o nosso Senhor Jesus Cristo. A diligência de ambos os pais e congregação são necessários nesta parte mais vital do treinamento de uma criança na piedade.

O que mais gostaríamos que nossos filhos levassem com eles quando tiverem crescido? Queremos que nossos filhos conheçam a Deus como ele revelou-se em Sua Palavra, e amá-lo com amor que os leve a glorificá-lo e servi-lo todos os seus dias? Nós queremos piedade cristã em nossos filhos? Então examinemos nossas prioridades e práticas. Centralizemos nossa paternidade ao redor de Deus mais do que ao redor dos nossos filhos. Passemos para eles a essência da fé que professamos através de estudo diligente das Escrituras e instrução catequética. Eduquemos nossos filhos tendo em vista a Glória de Deus como principal objetivo. Dê a igreja a prioridade que Cristo dá a ela em nossas famílias – e lembremos de incluir nossos filhos nas nossas igrejas.


Fonte original: https://corechristianity.com/resource-library/articles/5-misconceptions-about-parenting-that-will-hinder-your-children-from-coming-to-jesus?utm_content=buffer33915&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

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