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Se o título deste artigo te lembrou uma canção, é proposital. No entanto, antes de você continuar a leitura, preciso fazer algumas notas prévias:

Primeiro, escrevo isto com um profundo desejo de ver irmãos crescendo em graça e conhecimento de Cristo através do que  Bíblia diz e não o que eu digo; segundo, não é meu objetivo fazer uma crítica textual teológica da canção que contém a frase cujo título tem uma fração dela, tampouco criticar a banda que canta (não subscrevo ataques ad-hominem). Portanto o título é apenas uma ferramenta para chamar a atenção – tal qual jornais fazem. Terceiro, não menciono o nome da banda porque o artigo não é sobre ela e porque parto do pressuposto que o leitor já a conhece, visto que suas canções são entoadas em muitas igrejas; quarto, para que nossa adoração a Deus seja melhor, tanto individual quanto reunidos como igreja em nossos cultos.

Isto posto, vamos adiante. Boa parte deste artigo tem como base uma série de pregações expositivas em sequência a respeito do culto que oferecemos ao Senhor. Para explicar melhor, nas duas últimas pregações que fiz, seus títulos foram respectivamente: Celebrando a salvação e a justiça de Deus no Salmo 98 e A santidade de Deus deve moldar a nossa adoração no Salmo 99. Brevemente teremos uma exposição do Salmo 100. Contudo, é muito mais baseado no último sermão do salmo 99 que quero tecer algumas linhas que provém também de algumas reflexões.

O salmo 99 é um convite à todos que louvem o nome do Senhor e que os povos O celebrem por causa da santidade de Deus. Isto é demonstrado nos versículos 3, 5 e 9 “[…] pois Tu és santo”, “nosso Deus, é santo”, “pois ele é santo”, são evidentes nestes versos. O tema central do salmo 99 portanto é a santidade do Senhor. Este salmo faz parte dos salmos que estão relacionados ao culto ao Senhor e como ele deve ser.

Para explicar melhor, deixe-me primeiro dizer o que fiz. Eu dividi o salmo desta forma: versos 1 a 3, O Senhor Santo é soberano; versos 4 a 5, O Senhor Santo é Justo e executa Sua Justiça e versos 6 a 9 por fim, O Senhor Santo é Fiel.

Perceba que este salmo começa um pouco diferente dos anteriores. Muitos dos salmos anteriores que fazem parte da lista de convocação aos povos a exaltarem o Seu nome, começa com convites como: Celebrai ao Senhor, Dai louvor ao Senhor, Cantai um cântico novo ao Senhor. Este salmo é um dos que começam diferente. Que fazem uma declaração da majestade e da soberania do Senhor, bem como também o salmo 96.

O verso 1 declara: “O Senhor reina! Tremam os povos! Ele está entronizado sobre os querubins. Estremeça a terra!”

Amigos, isso não é linguagem figurada. Isto é muito real. O simples fato de alguém dizer isso, deve fazer com que haja temor em nossos corações. As Escrituras afirmam: “O Senhor reina; tremam as nações”.

Uma visão correta de Deus deve moldar a nossa adoração. A visão correta do seu caráter, da sua santidade, deve moldar a nossa liturgia para melhor. O nosso culto, seja individual ou coletivo, deve buscar agradar a Deus da forma que Ele requer e não dos nossos caprichos. O mais triste é constatarmos que ainda em certos níveis diferentes todos nós, de algum modo, falhamos em algum ponto em relação à nossa adoração a Deus. Eu mesmo já fiz muita coisa errada!

Uma coisa que não deixei de lembrar e martelou na minha cabeça foi a visão que Isaías teve diante do trono do Rei da Glória. Ele não pulou, ele não dançou, ele não fez nada daquilo que atualmente algumas canções em nossos momentos de louvores declaram. A implicação disto é que nossas canções (não somente elas, mas toda nossa vida) precisam de uma teologia correta acerca da pessoa de Deus.

O pastor Mark Dever em seu livro 9 Marcas de uma Igreja Saudável, no capítulo Teologia Bíblica, diz:

“Nosso entendimento do que a Bíblia ensina a respeito de Deus é crucial. […] Esta […] qualidade, a soberania de Deus, tem sido, por alguma razão, negada frequentemente, mesmo na igreja”. […] Essa resistência é muito perigosa para a vida espiritual de qualquer cristão”.

A atitude de Isaías ao ter a visão do Deus que é triplamente santo foi de assombro, espanto e temor. O estado da alma de Isaías é demonstrado quando ele clama: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” 

A santidade de Deus é algo é curiosa: ao mesmo tempo em que gera em nós curiosidade e certa atração, ela nos repele; ao mesmo tempo em que nos maravilhamos com a sua perfeição, nos assombramos e queremos distancia de Deus. Há uma tensão na nossa relação com a santidade do Senhor que deve nos fazer ter reverência para com sua pessoa, com os sacramentos – batismo e santa ceia – com o culto público e nosso culto particular, nosso devocional.

A santidade Deus, sua soberania, seus juízos e sua fidelidade devem ser motivos de adoração, louvor, rendição e humilhação diante dele. Estas expressões de louvor devem ser resultantes da percepção correta da santidade de Deus e do seu caráter.

A ilustração negativa disto é: se alguém reclama ser cristão, mas de alguma forma se comporta na sua vida particular ou em comunidade no culto público de forma leviana, a empurrar com a barriga – como dizemos – demonstra que está a agir como alguém que é convidado para estar na presença de uma autoridade e está a fazer palhaçadas e se comportar de modo indigno.

Portanto, o crente deve vir com expectativas e com o propósito firme de louvar a Deus ao se reunir com seus irmãos. Ao orar com sua família, ao trabalhar, ao render graças pelas bênçãos de Deus, ao receber o pão e o vinho com alegria. Com louvor, com alegria, mas com reverência e temor.

A razão de nos reunirmos, culto após culto, seja em comunidade ou até mesmo em particular é a glória de Deus e seu resplendor que brilham sua santidade. Tudo é a respeito de uma única pessoa: Cristo.

Se alguém reclama ser cristão, mas se porta de maneira incoerente do seu chamado em sua adoração a Deus, esta a privar a Deus de receber louvor e glória. Consequentemente, esta pessoa ou não tem uma visão correta de quem Deus é ou seu entendimento acerca de Deus, acerca de como deve adorá-lo está deturpado e portanto carece da graça de Deus para corrigi-lo, como foi feito com Isaías.

Nossas vidas devem ser dramaticamente tocadas por esta santidade, como aconteceu na vida de vários homens e que levou a adoração destes homens a mudar completamente. O conhecimento do caráter de Deus, da sua santidade, da sua misericórdia deve nos fazer ao mesmo tempo nos achegar com ousadia, intrepidez diante dele, pelo sangue de Cristo, mas deve nos lembrar de que não devemos agir com bobos da corte diante de um rei, quebrando protocolos. É neste ponto em que se encaixa o título deste post.

Devemos ter a mesma alegria, sermos simples, alegres contagiantes, mas com temor e reverência.

Como isto se aplica a sua vida? Como isto se aplica ao seu culto em sua igreja? Na sua casa?

“O Senhor reina; tremam as nações. Ele está entronizado entre os querubins; trema a terra”.

Anderson Alcides.

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