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certeza da salvaçãoContinuando com o post Aceitei a Cristo, estou salvo (parte 1), vamos refletir mais um pouco sobre este assunto e buscar um compreensão final, embora há muito a ser refletido.Mas, antes de qualquer coisa, se você ainda não leu a primeira parte, sugiro que o faça para seguir a linha de raciocínio. É importante. Clique aqui para ler.

Em tempo, é necessário fazer algumas considerações a respeito do primeiro artigo. A primeira é: ninguém pode dizer quem está salvo ou quem não está. Não é o objetivo deste artigo que alguém saia pelas ruas apontando o dedo e dizendo: “Este está salvo, aquele não está”.

Em segundo lugar: não é a intenção de menosprezar ou tornar o apelo desnecessário. Apelo tem o seu lugar na busca de salvação de pessoas.

Terceiro, o objetivo é nos levar a reflexão sobre a vida cristã, à uma compreensão piedosa, sincera e analítica da vida pessoal enquanto declarados cristãos e filhos de Deus, salvos pela Sua Graça. E ainda; à uma consciência sobre evangelização e salvação de vidas.

Então, se já leu a primeira parte (e espero que você tenha lido), podemos concordar que o ponto central do primeiro artigo é sobre instantaneidade e nossa rapidez em dar uma resposta às perguntas feitas sobre salvação baseados em apenas em ações simples e orações feitas, como sendo suficientes em si para crermos que alguém está salvo. Vimos inclusive como os irmãos puritanos lidavam com este assunto. Sobre a ênfase que davam sobre evangelização quanto à salvação.

Entretanto, não podemos pensar que eles [os puritanos] estavam fazendo muita confusão sobre este assunto. O fato é que os evangélicos hoje (em sua grande maioria e principalmente na vertente neopentecostal) encaram a salvação de um ponto de vista muito diferente. Certeza de salvação então, não vem simplesmente de um levantar de mãos, ou fazer uma decisão por Cristo, e a partir de então, a pessoa já ter a certeza da salvação. É necessário que haja demonstrações de uma fé ativa.

Thomas Brooks, em seu livro “Céu na Terra” diz o seguinte (numa página ele começa dizendo): “certeza da salvação não faz parte da essência do ser um cristão”, mas logo alguns parágrafos abaixo ele diz: “entretanto a fé a seu tempo, por si mesma se erguerá e progredirá até a plena convicção”. Então, se vê aqui, como os puritanos mantinham os dois lados: a fé inicial é suficiente para nos levar a Cristo, porém ela tem que crescer e progredir até desabrochar em segurança plena.[1]

Porém, através da análise da minha vida pessoal é possível saber se estou salvo? Somente das atitudes? Esta é a base para saber isto? Com certeza não! Aliás, como vimos no primeiro artigo, os puritanos buscavam um equilíbrio sobre este assunto mostrando a relação entre o intelecto e o testemunho interno do Espírito Santo. Por isto, esta compreensão de como o evangelicalismo brasileiro trata este assunto em contraste de como alguns irmãos e legado que deixaram, é necessária para o nosso entendimento.

“Quando por um lado nós temos a tendência ao formalismo: que leva uma pessoa a acreditar que está salva apenas porque é firme doutrinariamente. A essa o puritano diria: “E o seu coração meu irmão? E o testemunho interno do Espírito Santo?”. Por outro lado nós temos o emocionalismo divorciado de uma mente informada. A esse o puritano dizia: “Não, não, você tem que estudar a Palavra, examiná-la, e examinar a sua vida. As duas coisas têm que bater antes de que você diga que você está salvo”.” [2]

Esta relação entre o testemunho interno do Espírito Santo e o exame externo, precisa andar junto. Não podem ser e nem estar separados. Notemos que a salvação é algo relacionado ao novo nascimento, à regeneração, e que é algo realizado pelo Espírito. Não podemos saber em quem o Espírito tocou, mas podemos ver os seus efeitos, assim como vemos, ouvimos e sentimos os efeitos do vento. Nós achamos a manifestações visíveis do novo nascimento nos frutos de uma vida mudada.

É importante notar que nascer de novo, ser regenerado, não significa viver uma vida completamente perfeita. Embora a regeneração seja imediata, nosso corpo corrompido pelo pecado ainda sofre com as consequências e nós lutamos dia a dia contra o pecado que habita em nossa carne.

“De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” Rm. 7.18-19

“Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.” Rm. 7.23

A diferença da busca na certeza da salvação e a confirmação da vocação do crente, é que o pecado agora precisa ser confrontado à luz da Palavra de Deus, pelo Espírito Santo quem em nós habita. O pecado não pode ser natural ao homem nascido de novo, não pode ser natural àquele que foi salvo. Agora o salvo, precisa crescer em Cristo e confirmar cada dia a sua vocação. Aquele tocado pelo Espírito, iluminado por Cristo, precisa agora buscar crescer e se santificar. Não como resultado de uma imposição ou até legalismo, visto que não somos salvos por nada que fazemos, mas pela graça de Deus.

“Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.” 2 Pe. 1.10

“Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; Porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” Cl. 3.1-3

A ênfase que os puritanos davam à salvação e obediência ao Senhor muitas vezes era e foi muitas vezes mal interpretada. A crítica que se faz aos puritanos a essa altura é esta: já que a certeza de salvação está ligada à santificação, quando é que o crente vai ter certeza de salvação?

“Mas a resposta do puritano era esta: Não estamos dizendo que você tem que ser plenamente santificado, para você ter certeza de salvação. Estamos dizendo é que a partir do momento em que você tem os sinais externos mínimos e básicos da operação da graça de Deus, você passa a ter certeza de salvação. A resposta é essa. É aqui, então, o lugar da obediência à Palavra de Deus dentro da teologia puritana. Nós podemos dizer que é um círculo, e esse círculo está expresso na Confissão de Fé. No capítulo XVI, parágrafo 2: “boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são o fruto e as evidências de uma fé viva e verdadeira;…”. Então os puritanos sabiam que a fé produz obras vivas e verdadeiras. Continua: “por elas”, por estas obras, “os crentes manifestam a sua gratidão e robustecem a sua confiança (fé)…”. Então diziam: A fé produz obras e as obras robustecem a fé, é um círculo. Uma coisa leva à outra. Uma e outra, como diziam os puritanos, as bênçãos de Cristo se fortalecem mutuamente no coração do crente. Funcionava desta maneira.” [3]

Por isto em contraste e análise com o evangelicalismo brasileiro atual e muitas coisas que têm acontecido neste país, quando alguém em evidência (e geralmente na mídia) diz ter se convertido, é necessário analisarmos com cuidado. Primeiro para não julgarmos precipitadamente e condenarmos alguém que o Espírito de fato regenerou (e é algo que não sabemos), agindo sem amor para com aquela alma. Segundo que, uma árvore boa dá frutos bons, uma fonte de água doce não pode jorrar água salgada; então só o tempo dirá. O ponto é equilíbrio.

Então como tudo isto me ajuda avaliar e buscar a certeza da salvação? Como diriam os puritanos, digo eu também: “A obra completa de Cristo, e a obra do Espírito em nós, torna esta certeza possível. É pecado não buscar esta certeza depois do que Cristo fez na cruz do Calvário, depois que o seu Espírito foi derramado no dia de Pentecostes”.

Depois, nos ajuda também, como já mencionada, a corrigir a influência do evangelho barato, que oferece uma certeza de salvação com base em decisões feitas em resposta a apelos (por decisão), sem que haja sinais que podem ser observados de arrependimento, de mudança, de fé verdadeira. Os puritanos diriam: “Certeza de salvação depende da santificação. É necessário crescer na graça, no auto-exame, na percepção da graça de Deus no coração”. E isso, eu acredito, é muito importante e prático, especialmente na hora em que vamos examinar os candidatos à Profissão de Fé.

Essa doutrina puritana pode nos ajudar contra a influência do legalismo proveniente, infelizmente, de alguns círculos pentecostais que torna a certeza de salvação inatingível, porque é baseada no rigorismo do cumprimento da Lei. Ou então baseada em evidências legalistas. O puritano diria: “A certeza de salvação não se baseia na auto-avaliação, como sendo algo pessoal do crente, mas na percepção da graça de Deus agindo em seu coração. Não tem nada de legalismo”. [4]

Por fim, analisemos nossas vidas. Como estamos nós? Como está a sua vida? Quais são as evidências internas e externas que servem como base para você crer que faz parte dos eleitos de Deus?

Aqui também vai uma palavra de conforto aquele que tem buscado esta certeza: Continue a prosseguir. Pois pela vontade de Deus você encontra esta certeza. Continue crescendo na graça e no conhecimento de Cristo, em contínua análise interior e exterior, da sua conduta à luz da Palavra do Senhor, pedindo e rogando ao Senhor para te ajudar a vencer a cada dia a luta contra o pecado. Corrija o que tem ser corrigido. Obedeça à Deus.

Em Cristo,

Anderson Alcides.

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Bibliografia:

[1]  Lopes, Augustus Nicodemos; O Pensamento Puritano; Monergismo

[2] Lopes, Augustus Nicodemos; O Pensamento Puritano; Monergismo

[3] Lopes, Augustus Nicodemos; O Pensamento Puritano; Monergismo

[4] Lopes, Augustus Nicodemos; O Pensamento Puritano; Monergismo

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