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certeza da salvação

“Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego.” Romanos 1:16

A cultura do imediatismo e instantaneidade faz parte do século XXI. Se analisarmos com mais calma, veremos que as pessoas andam apressadas; e para sanar as grandes demandas que cada indivíduo possui, seja em qualquer área vida, estes usam ferramentas e artifícios criados pelo desenvolvimento tecnológico para que de algum modo, possam ajudá-los a resolver seus problemas e lidar com sua agenda.

Claro que, não se podem crucificar muitos benefícios que foram desenvolvidos para suprir necessidades reais e verdadeiras da humanidade. Agora mesmo, estou me comunicando via internet. Isto é uma bênção. Imagine se quiséssemos compartilhar algo, como fazer com as redes sociais hoje, nos moldes dos tempos antigos? Sem mencionar o imenso trabalho, tempo investido, com certeza o número de pessoas alcançadas se limitaria não menos do que a nossa cidade. Hoje qualquer um, em qualquer lugar do mundo pode ter acesso a qualquer conteúdo apenas a um clique de distância. É instantâneo, é imediato.

Há muitos anos, ninguém saberia qual seria o sexo da criança que estava no ventre de uma mãe. Era necessário esperar o nascimento para que soubéssemos se era um menino ou menina. Hoje, é possível com o ultrassom, não somente identificar o sexo do bebê, mas também diagnosticar previamente possíveis problemas de saúde ou síndromes que possam afetar a criança. Assim o corpo médico pode providenciar a devida assistência, orientando, acompanhando a gestação da criança, sua saúde, bem como a saúde também da sua mãe.

Se alguém precisa de alguma informação, basta ir ao Google, e em apenas alguns segundos sua requisição será respondida e terá às mãos incontáveis e possíveis informações sobre qualquer assunto. É “num piscar de olhos”.

Semelhante modo, muitos cristãos buscam respostas imediatas para questões espirituais. Respostas instantâneas para questões que levam uma vida inteira. Muitas não se acham explicação. Muitas nunca teremos respostas nesta vida. Alguns querem resolver alguns assuntos, como se fosse passe de mágica, através de uma oração, ou leitura da Bíblia, como se fosse um “manual-de-auto-ajuda-para-isso-e-para-aquilo”. O pragmatismo tomou conta. Muitos líderes têm sido seduzidos por ele, na busca de ganhar almas. Embora, os motivos e as intenções do coração não se podem conhecer, (não está sendo levantada a intenção do coração nem as motivações neste artigo) a responsabilidade pelo uso de métodos para pregação e fidelidade da mensagem é totalmente do cristão.

Pensemos um pouco sobre evangelização nos dias atuais. Certos métodos de evangelização necessitam de algumas observações.

É comum, por exemplo, em alguns locais ao final do culto uma oração de entrega da sua vida à Cristo, confissão de pecados, de renúncia às práticas antigas, ser feita em uníssono; e ao término da oração as pessoas serem questionadas: “Se você fez esta oração pela primeira vez, venha até a frente e oraremos por você”. Muitos nem sabem do que se tratam, não sabem o que fizeram. A responsabilidade da salvação então fica nas mãos do homem, quando na realidade quem salva é apenas Deus e somente Ele. A salvação nestes casos é algo baseada no mérito das pessoas. Dessa forma, a fé não é um dom, e sim, uma obra meritória para levá-las à salvação, o que no fim das contas, não é verdade. A salvação não depende do homem. Não é o homem quem escolhe Cristo. É Cristo quem escolhe o homem. Na nossa experiência, nós achamos que escolhemos a Deus, mas não é verdade.

Vocês não me escolheram, mas eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça, a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome.” João 15:16

Todo o sistema de apelo por decisões está baseado nestes princípios, de que o homem é quem toma a decisão. Não foi sem razão que Charles Finney (pelagiano declarado) tenha sido o iniciador disto, de convidar as pessoas a virem à frente. Às vezes em nossa evangelização, a primeira pergunta que fazemos é: “Você está salvo?”, ou “Você tem certeza da sua salvação?”. Basta que alguém a conduza a repetir uma oração após alguns minutos de explicação curta do evangelho, e, voilá. Somos tentados muitas vezes a responder a pergunta de alguém se está salvo, pelo imediatismo e instantaneidade de uma oração. “Você foi à frente? Você fez a oração de entrega?”; então se conclui que se alguém fez estas coisas, está salvo.

A certeza da salvação não é algo pura e simplesmente instantânea. Os antigos irmãos puritanos davam muita ênfase nisto, sobre a eleição e busca do saber se alguém realmente foi eleito e salvo por Deus. Porém, não se buscava responder estas coisas por atitudes tomadas pelo homem como uma oração indo à frente da congregação, onde alguém declara que depois de ter feitas estas coisas, se tornou um crente em Jesus, em última análise, nasceu de novo. Os puritanos diriam: “Não! Simplesmente não. Não é assim. Você está equivocado!”. Então como alguém sabe que a fé que tem é a fé salvadora? Como a pessoa tem certeza que está salva?

A Palavra nos diz que o Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (e isso é verdade). Entretanto, esta prova, tem que ser manifesta de alguma forma, e não é meramente algo que se sabe de um dia pro outro, de imediato. É uma questão que pode levar a vida inteira. Observe que Paulo exortou os crentes da igreja de Filipos a buscar a confirmação da eleição.

“Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas em minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor,” Filipenses 2:12

Voltando à questão dos puritanos para exemplificar melhor, se alguém ler suas obras vai perceber como eles mudavam a ênfase da evangelização quanto à salvação. Cito Rev. Augustus Nicodemus discorrendo sobre isso em seu artigo O Pensamento Puritano.

“Você vê que alguns puritanos colocam muita ênfase na questão do raciocínio, do intelecto. Eles estavam lutando contra os místicos, contra aqueles monges, contra aqueles falsos piedosos que falavam de um misticismo extraordinário, mas que não tinha frutos. O puritano dizia: ‘Não, não. Você tem que analisar, você tem que ver a sua vida. Use sua mente. Some um mais um e veja se bate dois, veja se você é crente. ’”
 
“Quando enfrentavam os intelectuais, os hipócritas, que achavam que estavam salvos só porque tinham a sã doutrina, então a ênfase deles era no testemunho do Espírito Santo. Diziam: ‘Não, não, você tem que vê se tem o testemunho do Espírito Santo no seu coração, se o seu coração está aquecido, se está mudado, de fato transformado.’”
 

Quantas pessoas nós já vimos entrar na igreja e sair? Quantas já fizeram uma oração, mas não ficaram mais que um ou dois anos congregando? Quanto de nós, achamos que por termos feito apenas uma oração, é certeza para dizer: “Estou salvo”. É claro que, é possível que o crente verdadeiro possa em algum momento da vida se afastar do Senhor por algum período, mas o Espírito de Deus sempre o alcançará de volta e o resgatará, o perdoará, o acolherá, a final o evangelho é poder de Deus para a salvação.

Em relação a isto, à salvação, está relacionada obviamente à evangelização. Pois, alguém é salvo pela graça de Deus, usando a evangelização, usando a pregação para que isso aconteça, já que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus, diz em Romanos 10, versículo 17.

Isto nos faz questionar algumas coisas. Primeiro; se os resultados visíveis (muita gente se dizendo evangélica) se dão ao fato da evangelização brasileira estar fundamenta em méritos humanos?

Segundo; se é Deus quem chama o homem, porque insistimos ainda em chamar os homens a virem à frente?

Terceiro; será que não cremos piamente no poder do Evangelho para salvar que é necessário às vezes ficar ao lado de alguém no culto, na hora do apelo, ficar chamando a pessoa ir à frente (às vezes muitos deles nem sabem o que fazem) para “aceitar Jesus”, e queremos dar uma mãozinha a Deus para isso?

À Luz da Palavra, Deus salva. A Bíblia diz que somos salvos pela graça, por meio da fé, e ela (a fé), não vem de nós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.  Certeza da salvação não é baseada em ações como ir à frente da igreja, ter se batizado, ter crescido na igreja, ser filho de pastor, diácono, etc.

Ela não pode ser respondida de forma imediata e nem instantânea. Esta certeza pode levar uma vida inteira. É necessário crescer a cada dia, na fé, na vida cristã até alcançar esta certeza.

Mas será que para por aí? Continua…

Anderson Alcides

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