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Por Wilson Porte Jr.
Será que estamos enxergando bem? Será que nossos óculos estão devidamente ajustados para vermos o que realmente está acontecendo?

A injustiça e a corrupção existem. São visíveis e nojentas, repugnantes! A corrupção está em todo lugar. Um bom exemplo é a mídia que insiste em chamar de pacífica as manifestações dos últimos dias.

Mas, é claro, em um país com 50.000 assassinatos anuais, um movimento com depredações, vandalismo, pixações, tiros, bombas caseiras, etc., só pode ser chamado de pacífico.

É preciso observar que vivemos sob um alto nível de insensibilidade. Quando descartamos os mais de 50.000 assassinatos anuais como se não fossem “baderna real” ou “violência real”, pois a maioria das pessoas vive insensível a este fato, chegamos a um nível onde nossa sensibilidade para julgarmos se participaremos ou não de movimentos pacíficos com alguns poucos participantes baderneiros não nos alerta mais.

O que estou dizendo é que, mesmo antes das manifestações, chegamos a um nível tal de cauterização da consciência da realidade que não conseguimos perceber o “problema” em nos tornarmos coparticipantes do que está acontecendo.

Em princípio, deixo bastante claro que não acho errado o povo se manifestar. Manifestações pacíficas são legítimas, direito de todo o povo que vive sob um regime democrático. Portanto,não sou contra a manifestação.

Minha tristeza é que nunca vi tanta empolgação entre os cristãos por uma causa muito mais sensata e correta – como um Dia Nacional de Arrependimento.

Carro incendiado durante
manifestação “pacífica”.

Minha tristeza é por ver que os cristãos se ajuntam facilmente ao barulho, mas relutam em fazer o que os profetas e apóstolos tanto nos exortaram. Acredito que o caminho seria manifestarmos publicamente nossa tristeza pelos nossos próprios pecados bem como pelos de nossa nação.

Sairmos às ruas confessando nossos pecados como indivíduos, como igrejas e como nação. Confessando-os com placas que reconhecessem onde temos errado. Placas que convocassem, exortassem todas as pessoas de nossa nação a se arrependerem também! Exortando a todos a confessarem seus próprios pecados.

Imagino um Dia Nacional de Arrependimento com placas dizendo:

Tenha misericórdia e perdoe nossos jovens que financiam tantos crimes ao comprarem drogas ilícitas.

Tenha misericórdia e perdoe nossos políticos corruptos que priorizam R$ 27 Bilhões em Copa do Mundo enquanto tantos morrem em corredores de hospitais sem leito e sem médicos.

Perdoa-nos por nossos adultérios. 

Perdoa-nos pelo Jeitinho Brasileiro.

Tenha misericórdia e perdoe nossos políticos corruptos que priorizam R$ 27 Bilhões em Copa do Mundo enquanto tantos são assaltados e assassinados por falta de segurança pública em nossa nação.

Arrependa-se e confesse os seus pecados! Só assim veremos mudanças reais no Brasil! 

Perdoa-nos por comprarmos atestados médicos.

Perdoa-nos quando sonegamos nossos impostos.

Perdoa-nos por amarmos mais o futebol do que ao Senhor.

Perdoa-nos por aceitarmos tanto adultério e prostituição em nossas televisões.

Perdoa-nos por amarmos mais ao dinheiro e ao sucesso do que ao Senhor.

Perdoa-nos por pagarmos suborno a policiais a fim de não sermos multados.

Abandone a cobiça, a ganância e a luxúria. Volte-se para Cristo! Arrependa-se! Só assim seremos uma nação feliz!  

Ame a Deus e à sua família mais do que o dinheiro, o trabalho e o sucesso! 

Imagine se, a isso tudo, você e eu aderíssemos nossos próprios pecados? Um Dia Nacional de Arrependimento, clamando a Deus que nos perdoasse. Clamando a Deus que tivesse misericórdia de nosso povo e perdoasse seus pecados (assim como Jesus fez na cruz e Estevão ao ser apedrejado — “Pai, perdoa-lhes…”, Lc 23.34 e At 7.60).

Quem sabe assim, veríamos um grande avivamento em nosso país, avivamento capaz de mudar até mesmo as estruturas do Estado.

Você, talvez, me dirá: “mas não podemos fazer as duas coisas? Orar e manifestar!?” Claro! Mas por que não fizeram até agora? Onde vocês estavam, cristãos? Por que somente agora pegaram o bonde da história gritando por algo bem menos eficaz do que o arrependimento e a oração?

Se você vive olhando e cobiçando o corpo da mulherada, não honra seu pai e sua mãe, vive falando mal dos outros, sonega imposto, mente, fura filas, pede para autoridades livrá-lo de multas de trânsito, recebe troco a mais e fica quieto, procura políticos para conseguir benefícios pessoais, entra em esquemas de pirâmide financeiras onde quem entra por último sofre às custas dos primeiros “grandes” beneficiados, ultrapassa pelo acostamento, nunca estendeu a mão e abriu o bolso pra ajudar ninguém, fala mal dos outros pra se dar bem, cobra lucros excessivos sobre o que vende, e sempre quer tirar vantagem de tudo, por favor, antes de sair às ruas pedindo mudanças nas ações do Estado, dobre os joelhos e peça a Deus que mude primeiro o seu próprio coração.

Eu sei que existe insatisfação no coração dos brasileiros. Eu também estou insatisfeito. O ponto não é a insatisfação, mas a origem de toda corrupção!

Precisamos de menos movimentos e mais arrependimento. Menos cristãos em pé nas ruas e mais cristãos de joelhos no chão, clamando pela transformação de seus próprios corações e também pela transformação do coração daqueles que nos governam.

Temo pelo que pode vir no final destas manifestações. Se as pessoas conseguirem transformações por meios não democráticos (vandalismos e terror), a história nos ensina que um tirano há de se levantar como um “salvador da pátria” e nos conduzirá à um tempo de tirania, como na Venezuela, China e Cuba. Que Deus nos livre disso!

Diante disso, sugiro três atitudes:   

  1. Convoco-os para um Dia Nacional de Arrependimento , em 1º de Setembro de 2013;
  2. Se você pensa em sair às ruas para manifestar sua indignação pela corrupção em nosso país, ajoelhe-se antes, peça perdão a Deus pelos seus próprios pecados;
  3. Enquanto estiver nas ruas, ao invés de ficar tirando foto e postando no facebook ou twitter, lembre-se de clamar a Deus por um avivamento e transformação espiritual, cultural e moral em nosso país. É disso que precisamos!
Concluo com uma série de perguntas feitas por Isaque Sicsú:

E se os políticos e os funcionários corruptos saíssem às ruas clamando: “Parem de jogar lixo nas ruas”, “Parem de sonegar imposto”, “Parem com o maldito jeitinho brasileiro”, “Parem de comprar atestados médicos”, “Parem de pixar as ruas”, “Não mintam sobre suas ausências e horas extras no RH da empresa”, “Sejam corteses no trânsito”, “Sejam educados com os subalternos”, “Não depredem o patrimônio público”, “Não espanquem suas mulheres e crianças”, “Parem de beber e dirigir”, “Não financiem o crime consumindo drogas ou pagando por privilégios ilegítimos”?Pra exigir a diferença, a ética, a moral, precisamos ser éticos e morais. Caso contrário, somos os hipócritas do lado de cá do sistema…

Espero em Deus que esta reflexão ajude você a olhar sob um novo prisma para o momento em que nosso país vive. Sem dúvida, hoje mais do que nunca precisamos sondar nossos corações e tomarmos cuidado com a corrupção e más intenções que nele há (Jr 17.9). Sonde seu coração antes de sair para protestar. Sonde seu coração e, com bom senso, sonde “a situação” para saber se é sábio mesmo você fazer parte do que está acontecendo.

Que Deus conduze cada um de vocês!

De Wilson Porte Jr.
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