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“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. Efésios 6:12

As lutas do cristão são de nível espiritual e carnal. A luta do espírito contra a carne é constante. A batalha espiritual é uma realidade, não podemos negar isto. É fato.

O conceito de batalha espiritual que tem hoje se deve ao início do século 20, ao mesmo tempo em que o pentecostalismo clássico surgiu. A ênfase neste assunto ocorreu em meados das décadas de 60 e 70, em virtude de sinais, curas e milagres que começaram a acontecer. Em paralelo a estes sinais, o ensinamento sobre batalha espiritual se fortaleceu durante os anos, através de seminários internos em igrejas, congressos, conferências somente sobre este assunto. Muitos trazidos de fora, como os EUA, por exemplo.

Diversos livros, artigos, matérias foram escritos sobre este assunto. Quem não lembra ou já não ouviu falar sobre livros que contam experiências com satanistas, pessoas infiltradas nas igrejas, na família, enviadas por satanás? Sem mencionar as mensagens subliminares que havia em letras de músicas, que tocar os discos de vinil em rotação contrária se ouvia mensagens escondidas, colocadas ali pelo “diabo” a fim de destruir o ser humano e induzi-los a pensamentos e atitudes más, imputando sobre elas maldições. Houve relatos de possessões que se originaram de músicas assim.

Em um sentimento legítimo de pregar o evangelho obedecendo a uma instrução do Senhor em Mateus 10:8, infelizmente o extremismo e a ênfase no exorcismo se tornou a bandeira levantada. Muitas cruzadas e “cultos de libertação” foram criados na intenção sadia de levar aqueles que estavam presos por satanás por meio de “trabalhos”, feitiçaria e magias, a conhecerem Cristo, o recebê-lo como Salvador e serem finalmente livres.

Pessoas vivenciaram experiências e foram libertas. Legítimas? Sim. Ainda há? Não duvido que não. Embora, temo que algumas não foram ou tem sido tão legítimas assim. De algum modo os acontecimentos do cotidiano levam alguns a pensar que estão sob real ataque espiritual, quando na realidade são apenas circunstâncias da vida, e, em um sentido mais “espiritual” da coisa, apenas carne e a natureza pecaminosa. Nem tudo é o diabo, que fique claro.

É comum após um longo período de jejum e oração, ou de dedicação a trabalhos em sua congregação como congressos, conferências, programações, se virem em situações delicadas. Alguns caem em pecado, sofrem acidentes, trazem escândalo ao corpo. Alguns dizem: “É retaliação”. Mas, será? Será que o diabo é como um cão em quem se joga pedra e ele revida?

“O que muitos chamam de demônio, são somente obras da carne”

Por causa de extremos, infelizmente, vemos em “cultos de libertação” mais crentes do que não crentes. Parece contraditório, em dias que o neopentecostalismo deturpado tem buscado alcançar aqueles que não conhecem a Jesus, justamente por métodos escusos. Os motivos pelos quais muitos crentes comparecem a estas reuniões são vários, dentre eles, creio eu que posso destacar a pobreza do ensino bíblico.

Aqueles que se dedicam ao ensino sadio da sã doutrina, sabem como é difícil reunir os irmãos para um culto de ensino bíblico ou ainda para ir à escola bíblica dominical!

É comum observarmos cultos de libertação cheios, e em sua maioria, ainda cristãos. E a pergunta que fica é: Cristãos querem ser libertos de que? Vejamos sobre a liberdade, o que as Escrituras nos ensinam:

“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” Isaías 53:4-5

“…porque está escrito escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as cousas escritas no livro da lei, para pratica-las. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se Ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”. Gálatas. 3:10-13

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. João 8:36

Certa ocasião, Jesus foi interrogado por seus discípulos o porquê não conseguiram expulsar um demônio de um menino. Vejamos a passagem:

(MT 17:14) –  E, quando chegaram à multidão, aproximou-se-lhe um homem, pondo-se de joelhos diante dele, e dizendo:

 (MT 17:15) –  Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água;

  (MT 17:16) –  E trouxe-o aos teus discípulos; e não puderam curá-lo.

  (MT 17:17) –  E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! até quando estarei eu convosco, e até quando vos sofrerei? Trazei-mo aqui.

  (MT 17:18) –  E, repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou.

  (MT 17:19) –  Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo?

  (MT 17:20) –  E Jesus lhes disse: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. [grifo meu]

  (MT 17:21) –  Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum.”


O motivo foi a pouca fé dos discípulos, e não somente pelo fato de que é necessário somente jejum e oração. Assim, óbvio que em relação ao jejum e oração, sua vida espiritual cresce para outro nível. Pois quando deixamos de alimentar nossa carne, e nos enchemos do Espírito de Deus, estamos mais sensíveis à voz de Deus, Sua presença é marcante e Deus opera de maneira sobrenatural.

Todavia, não buscamos instrução na Palavra, mas antes somos levados a sermos “caçadores de demônios”. A fixação e o extremismo em batalha espiritual têm levado muitos a darem mais atenção ao diabo, do que a Deus e Suas obras. Querem mais o culto de libertação do que irem ao culto de ensino bíblico.

Mais alarmante é que muitos ensinam que devemos entrar em guerra com o diabo em oração, por vezes incluindo o falar em “línguas”, pois há mais eficácia na vitória. E não é para isso que o dom de línguas é dado aos crentes.

Batalha espiritual acontece em todo momento. Notamos isto em Efésios. Ela não acontece em momentos que “atacamos” os demônios em oração (oração se faz a Deus). A Palavra no diz que devemos estar “vigilantes e sóbrios, por que o diabo, nosso adversário, anda em derredor, rugindo como leão, buscando a quem possa destruir” – 2 Pedro 5:8.

Ela – a batalha – está ocorrendo agora mesmo, neste momento, em diversos lugares. Não há retaliação em batalha espiritual, porque o diabo já está procurando quem possa tragar, sem precisar receber “pedradas” na oração.

A batalha ocorre quando estamos na fila do banco e perdemos a paciência com a atendente; quando perdemos a paciência com nosso cônjuge ou filhos, com nosso colega de trabalho; quando no trânsito somos fechados e temos o impulso de dizer “poucas e boas” para o outro motorista; quando estamos a sós em casa na internet e somos tentados a acessar conteúdo inapropriado. Ela ocorre em diversas situações, pois o objetivo do diabo é fazer com que nós, nos afastemos de Deus. E o que nos afasta de Deus, é o pecado! Eis o motivo pelo qual somos orientados a sermos sóbrios, vigiando em todo o tempo, pois também “Não ignoramos os seus [do diabo] ardis”. 2 Coríntios 2:11

É necessário equilíbrio. É necessário obedecer à instrução de pregar o Evangelho, pois a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra de Deus, e ela, traz a libertação.

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado. E eu estarei convosco, até a consumação dos séculos” Mateus 28:19-20.

Se aparecer no meio da caminhada alguém possesso, simplesmente expulse. Mas não vire um “caçador de demônio”. Seja um pescador de homens.

Em Cristo e em paz,

Pr. Anderson Alcides.

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