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pai_nossoUm dos anseios do ser humano em toda a sua história é entrar em contato com o divino. Com o que transcende.

Esta atitude busca satisfazer e preencher uma real necessidade de que o homem quer encontrar Deus. Embora, muitos o fazem por caminhos errados, imaginando ser o certo.

A vida do cristão é permeada de diversas responsabilidades e atividades que visam fazê-lo crescer espiritualmente em comunidade, visam lapidá-lo, santificá-lo.

Uma dessas atividades para saúde espiritual do crente é a oração. Uma vida de oração precisa ser cultivada diariamente. Embora, muitas vezes somos tentados a relaxar nesta vida de oração, tomados pelo cansaço, estresse, a correria do cotidiano. Ao final do dia quando voltamos para casa e vamos para a cama, muitas vezes queremos apenas deitar e descansar. E a oração? Muitas vezes é deixada de lado. Você já fez isso? Eu confesso; eu infelizmente já!

Não é apenas orar quando levantamos pela manhã, quando temos refeição à mesa, quando vamos nos deitar para dormir. É uma constante e deve ser assim. Nas Escrituras vemos orientações e advertências que devemos orar.

 “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Mateus 26:41, NVI.

“Olhai, vigiai e orai; porque não sabeis quando chegará o tempo.” Marcos 13:33, ARC.

“Chegando a lugar, ele lhes disse: Orem para que vocês não caiam em tentação”. Lucas 22:40, NVI.

“Orai sem cessar” 1 Tessalonicenses 5:17, NVI.

Somos convocados a orar pelos presbíteros da igreja, pelos pastores, pelas autoridades, pela Igreja.

Se a oração não tivesse tamanha importância, não teria sido mencionada. Ela tem um poder tremendo. Mas devemos entender que poder é este e com que propósito. Não devem ser palavras ao vento, ou quem sabe decretos, ordens, declarações, determinações, como muitas orações descabidas. Precisamos de uma consciência real do que é orar e como devemos orar.

Claro que, não é meu intuito esgotar sobre este assunto aqui. Não tenho esta pretensão. Mas gostaria de compartilhar algo que mexeu comigo esses dias, lendo Lucas 11:1-4 e Mateus 6:5-15, sobre o ensinamento de Jesus de como devemos orar. E é sobre este modelo de oração, O Pai Nosso, que vamos discorrer aqui.

Em Lucas observamos no primeiro versículo os discípulos pedindo: “Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele”.

Alguns dos questionamentos que me surgiram foi: “Que curioso. Um povo que conhecia a Deus, seus pais viram os milagres no deserto, foram ensinados conforme e na Lei, iam constantemente ao Templo fazer sacrifícios, não sabiam orar?”

“Havia algo diferente na oração de Jesus. Havia algo diferente na vida de Jesus que era certamente fruto de muita oração, e seus discípulos perceberam isto”.

Chego a conjecturar as suas indagações: “O que há de diferente em suas orações das nossas?” “Será que estamos fazendo algo errado?”

Então Jesus começa:

“Quando vocês orarem, digam: Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu reino; seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém”. Mateus 6:9-13, NVI.

Segue-se então um modelo, um arquétipo de oração que precisamos ter em mente quando orarmos. Não é uma oração que deve ser repetida diversas vezes, mas seguida como exemplo.

Então, a primeira parte diz: “Pai nosso que estás nos céus! Santificado seja o teu nome”.

É visto aqui que a oração, primeiro começa reconhecendo quem é Deus, quem Ele é para nós e exaltando o Seu nome. Santificado seja o teu nome. Teu nome é Exaltado, teu nome não pode ser tomado em vão. O nome do Senhor é precioso. Traz uma consciência profunda de que Deus é Santo e ele merece toda a adoração. A oração já começa com um profundo reconhecimento de quem é Deus e também de quem somos. Lembremos da declaração de Isaías ao ver o Senhor no templo:

“Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos”. Isaías 6:5, ACF.

Quando chego perante Deus, tenho que fazê-lo com temor. Somos pó da terra, ele é Deus Todo-Poderoso.

“Venha o teu reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu”.

O reino do Senhor deve ser a primazia em nossas vidas. Sua vontade é soberana. Quando eu penso nisto, indago: como é feita a vontade do Senhor no céu? Sem dúvida, por ser um Deus soberano, suas ordens e suas vontades são acatadas, sem questionamentos. A soberania do Senhor é tamanha que todos se curvam perante ela e perante a vontade do Senhor.

Nosso desejo deve ser primeiro a vontade de Deus e precisamos entender e pedir isto. Primeiro é a vontade do Senhor, e depois a nossa! Não que o Senhor não esteja interessado em realizar as nossas vontades e desejos, mas sim, que sua vontade seja primordial em nós e através de nós. Pois ela é boa, perfeita e agradável.

“Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia”

Nosso sustento e necessidades básicas são supridos pelo Senhor. Ele quem nos sustenta, Ele quem nos alimenta e nos mantém de pé. Dele provém toda fonte de vida, pois, Ele é a vida!

Nossos pedidos em clamor a Deus devem ser feitos, crendo que Ele os responderá. Não como determinações do que queremos, não como decretos do que almejamos ter e possuir ou que aconteça algo.

É comum atualmente, muitos orarem como se dessem ordens a Deus. É a oração do poder pessoal, fruto de uma doutrina herética chamada Confissão Positiva.(Leia mais sobre tipos de oração aqui.)

Precisamos entender que ao orarmos, somos filhos que falamos ao nosso Pai, e nada mais também do que servos que clamam ao seu Senhor. Somos duas coisas, filhos e servos. Eu quero, eu peço, eu confio em Deus para me dar aquilo que desejo, porém quem determina, quem decreta e quem bate o martelo na decisão dando a última palavra, é o Senhor.

“Perdoa nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores”

Perdoe nossos pecados, assim como temos perdoado aqueles que pecaram contra nós.

A premissa para sermos perdoados aqui; é se agimos de misericórdia com aqueles que nos ofende. Como Deus age conosco quando pecamos contra Ele. Lembra da parábola do homem que devia ao rei, lhe foi perdoada uma grande dívida, porém este não perdoou o seu servo que também lhe devia e como colheita recebeu uma sentença do rei?

Ao pedirmos perdão dos nossos pecados, reconhecemos que também não há nada de bom em nós e carecemos do perdão do Senhor para sermos reconciliados com Ele. Deve haver uma profunda consciência de quem somos; de quem Deus é, o que Ele fez por nós e como temos agido com o nosso próximo.

Agora, divido em duas partes o versículo a seguir.

a) “E não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal…”

Pedimos a Deus força para não nos deixar cair em tentação. Porque certamente, somos tentados todos os dias.

Interessante é notar a palavra “mas”. Um elemento responsável pela ligação de duas orações de sentido oposto. Assim, podemos entender que Deus tem o poder de nos livrar das tentações nos fortalecendo e livrando-nos do mal. Lembremos que devemos fugir da aparência do mal. Assim, andamos lado a lado com o Senhor, no processo de santificação das nossas vidas. Fugimos da aparência do mal, e o Senhor nos livrará da tentação que reside no mal.

b) “…porque Teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém”

Nossas orações encerram-se obviamente pedindo em nome de Jesus. Jesus disse que devíamos fazer assim.

Entretanto, notemos também que, neste modelo, a oração encerra-se da mesma forma que iniciou; dando honras, louvor, poder e glória ao nome do Senhor. A glória pertence a Ele. Reconhecendo sua Soberania, Sua vontade, Seu Senhorio, Seu poder, Sua glória.

Encerro, rogando ao Pai que nos ajude a orar. Afinal, nem nós sabemos pedir como convém.

Que através das orações, possamos ser confortados, consolados, confrontados e transformados.

Que nossa vida de oração seja regada com muita leitura e meditação na Palavra, para que quando orarmos, tenhamos a consciência de que Deus é digno de honra e louvor, de que devemos nos achegarmos com temor e tremor, pois antes que a palavra venha a nossa boca, Ele já sabe tudo o que iremos dizer. E vai além disto, Ele sonda os nosso corações.

Sejamos sinceros com Deus. É utopia pensarmos que podemos enganar o Senhor. Enganamo-nos agindo desta forma.

 Que a Graça e Paz do Nosso Senhor Jesus vos abunde,

Pr. Anderson Alcides.

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