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Não Gira em Torno de Você

Eric Landry

Rev. Eric Landry é pastor e fundador da Christ Presbyterian Church em Murrieta (Califórnia) e diretor executivo da White Horse Inn, organização que publica a revista Modern Reformation e realiza o programa de rádio White Horse Inn.

Depois de uma sessão difícil de aconselhamento conjugal, no início de meu primeiro ano de ministério, chamei um mentor para saber como me havia saído e obter um pouco de alívio da tensão. Ele me ouviu pacientemente e, depois, ofereceu uma avaliação convincente: “Parece que você está mais preocupado em estar certo do que preocupado com o casal que está aconselhando”. Soube imediatamente que ele estava certo, mas apresentei minha objeção cordial e mudei de assunto. Eu não queria enfrentar a verdade a respeito de mim mesmo. Ainda é difícil encarar os fatos, mas posso ver agora que, em muitas áreas diferentes de meu ministério, o foco mudou do serviço altruísta para o ganho egoísta. Tudo gira em torno de mim.

Não tenho certeza de que você pode notar isso, vendo-o de fora. Não que eu seja um tipo de Elmer Grantry. A mudança na ênfase é sutil: estou realmente conectado em meu sermão? Gastei tempo suficiente procurando os visitantes? Dei o conselho certo aos pais de um adolescente perturbado? Se eu tivesse feito algo diferente, o resultado teria sido melhor? Devagar, mas com certeza, os termos de avaliar meu ministério têm-se tornado grandemente autorreferenciais.

Quando tentamos pensar em exemplos do tipo de ministério focalizado no ego, é fácil lembrarmos rapidamente os tele-evangelistas. Com seus ternos ostentosos, suas turnês internacionais e seu estilo de vida esbanjador, eles se tornaram (como John Lennon se vangloriou certa vez) maiores do que Jesus. Mas, esta é realmente a nossa tentação?  A tendência interior que não é fácil de ser detectada é o tipo de ministério que prega a Cristo por inveja (Fp 1.15) ou pastoreia as pessoas por lucro vergonhoso (1 Pe 5.2). Quanto mais rápido nós, humildes pastores reformadores, pudermos identificar os mais notórios praticantes desse ministério, tanto mais fácil será vencermos algumas de nossas próprias tentações para com um ministério que coloca a nós mesmos no centro.

Logo depois que Deus libertou os israelitas da ameaça de Faraó, houve três incidentes em que o povo murmurou contra Deus. Eles murmuraram quando chegaram às águas amargas, quando não tinham pão e quando não tinham água de maneira alguma. No terceiro incidente, Moisés estava cansado daquilo. Disse-lhes que o verdadeiro problema deles era que estavam tentando a Deus com sua gratidão fugaz pela provisão graciosa de Deus (Ex 17.2). Mas, quando Moisés se voltou para Deus, colocou em si mesmo o foco de sua queixa: “Que farei a este povo? Só lhe resta apedrejar-me” (Êx 17.4). Em vez de buscar a Deus como fizera antes e pedir-lhe que agisse para regatar e redimir seu povo, Moisés parece ter ignorado as pessoas e colocado suas necessidades na frente, no centro.

O que acontece quando o ministério é reorientado para atender às minhas necessidades? Eu vivo ou morro pela reação das pessoas. Há um irmão que ainda luta com um pecado debilitante? Então, eu o tornarei meu projeto especial. Mas, se ele não melhorar, se não obtiver vitória, se não se tornar um troféu de meu sucesso, então, meu senso de sucesso no ministério será destruído. Eu ficarei arrasado. E aquele irmão também ficará arrasado, porque me apoiei nele para exaltar a mim mesmo.

Por exaltar a mim mesmo, meus filhos bem comportados e minha visão do ministério, estou treinando as pessoas a olharem para mim quanto às respostas para seus temores mais profundos e seus problemas mais desafiantes. Por um tempo, eu posso usar a fachada, mas ela se desintegrará quando a vida real começar a exercer a sua força. Então, como eu reoriento meu povo e a mim mesmo para longe de mim? Como todos nós redirecionamos os olhos para a supremacia de Jesus?

Embora não sejamos o foco de nosso ministério, ele é para nós. Como arautos de grande Rei, a mensagem que trazemos é boas novas para nós, bem como para as pessoas que a ouvem. Os grandes mistérios sobre os quais Deus nos colocou como mordomos beneficiam tanto a nós quanto as pessoas que os recebem. Depois de focalizar-se em suas necessidades, Moisés foi dirigido por Deus a ir até à rocha em Horebe, onde Deus prometeu: “Estarei ali diante de ti” (Êx 17.6). Moisés ainda tinha uma tarefa a realizar, um ministério a cumprir – ferir a rocha –, mas ele era, antes de tudo, um recipiente daquela água que dá vida e uma testemunha daquele ato que dá vida. Paulo nos diz em 1 Coríntios 10.4 que a rocha “era Cristo”. Deus não proveu bebida física e espiritual ao povo a fim de exaltar Moisés e seu ministério. Ele a deu para sustentar o povo e seu profeta, cuja sede física era um reflexo pálido da sede espiritual causada por eles terem seu próprio ego como referencial.

Naquele dia, Moisés se levantou com o povo e olhou para Cristo. Juntos, os olhos deles foram atraídos à obra salvadora e à presença de Deus. E, naquele dia, suas mais profundas necessidades foram satisfeitas e atendidas. Que Deus nos dê esta mesma atitude cada domingo, quando tiramos os olhos de nós mesmos, juntamente com nosso povo, e buscamos a Cristo na Escritura e na Ceia, achando nele toda a esperança, justiça e satisfação.

Tradução: Francisco Wellington Ferreira

Via: Editora Fiel

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