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Sempre fui e ainda sou, um defensor de hinos e cânticos ditos como “antigos” por alguns cristãos mais novos. A modernidade, tecnologia na área músical seja secular ou sacra, possibilitou a criação de arranjos mais sofisticados, mais trabalhados. Harmonias perfeitas, arranjos, instrumentos nunca antes utilizados. Há aparelhos que até tiram desafinação do canto!!!

Em contrapartida, curiosamente boa parte dos hinos e cânticos escritos, sendo gravados ou não, perderam o seu tônus literal. Letras de apenas experiências – a despeito de que toda arte tem algo empírico – , mas são muitas vezes, sem base bíblica, o que para o músico cristão é sem dúvida fundamental. Há hinos, cânticos bons hoje. Entretanto raríssimos!!

Nos esquecemos por vezes de cânticos que tem uma história, obviamente. Frutos de experiência, porém que foram também escritos por uma consciência cristã, teológica e bíblica.

Eu cresci ouvindo hinos lindos, e na minha caminhada cristã, vi muitas igrejas abandonarem seus hinários. Igrejas historicamente tradicionais, que, por uma visão ministerial ou não querer que haja um esvaziamento da membresia, pois alguns acham que são hinos “caretas e feios”, ou até por gosto mesmo. São casos e casos. Concordo que precisamos nos atualizar, porém sem esquecer da tradição. Tradição não é algo ruim. Muitos a vêem como um enjessamento espiritual. Uma visão radical?! Sem dúvida. Um absurdo sem precedentes? Nem tanto. Mas existe a tradição benéfica. Precisamos encontrar um equilíbrio. Afinal, há irmãos que não gostam muito de uma música no “estilo rock’n roll”, “reggae” e outros ritmos. Temos pessoas de várias classes sociais e faixa etária diferentes em nossas igrejas.

Eu particularmente curto rock’n roll, reggae, jazz, mpb, música clássica, pop rock. Mas não me esqueço das minhas raízes, da tradição. Amo demais os hinos da Harpa Cristã e Cantor Cristão. Admiro a história de alguns escritores, a saber por exemplo Martinho Lutero, que escreveu o hino Castelo Forte.

Letras fortes, relevantes e que sempre nos levam a refletir sobre a mensagem que quer nos passar. Estes dias estou um pouco saudosista. Lembrei de um hino que ouvia e via meus pais, tios, primas e primos cantando no coral, quando eu ainda era menino e ficava sentado no primeiro banco da igreja.

Este hino tem uma mensagem linda, forte, de uma das mais belas passagens do Evangelho. A história de quando os discípulos de Jesus em alto mar, levantaram-se atemorizados com a tempestade, enquanto Jesus dormia tranquilamente no barco. Os discípulos temendo a morte acordaram Jesus questionando se Ele não se importava com eles, pois estavam prestes a naufragar. Jesus levanta-se acalma o mar e a tempestade. Lucas 8:22-25.

Seja nas tempestades da vida, nas ondas que vão e vem, batendo fortemente em nossa embarcação que aparentemente e momentanemante nos dá segurança, Jesus sempre está ali. Em todos os momentos. Talvez fiquemos apavorados, inquietos e questionando ao Senhor: “E o que você está fazendo que não vê o que está acontecendo comigo? Não se importa comigo, com minha família?”. E calmamente, Jesus diz: “Calma. Eu estou e sempre estarei no controle”. Curiosamente as vezes fico pensando. Se Jesus não tivesse feito nada? Se a embarcação tivesse virado? O Senhor deixaria de ser Deus? Deixaria de ser soberano? Acredito que não. Mas analiso que em meio às tempestades, sendo turbulentas ou em momentos de calmaria, nestes dois momentos, Cristo está comigo. Isso importa muito mais e me dá mais segurança. Mesmo que ainda haja tempestade lá fora do barco, o que importa, é que no barco, Cristo está.

Medite na letra do hino, medite na Bíblia e na passagem que menciona a história. Aproveite e conheça a história deste hino.

Creia, Cristo está no barco da sua vida, em todos os momentos, de alegria, de fartura, de dor e escassez.

Farei uma série dividos em 3 posts de hinos que gosto muito. Convido você comentar neste post, qual o hino que marcou ou marca você? Qual relação com a bíblia possui e em que passagem? O que pode aprender com ambos, bíblia e cântico?

Se quiser ouvir o cântico, ao final deste post, tem um link com um coral adventista interpretando-o.

Sossegai

Letra: Mary A Baker

Tradução: William Edwin Entzminger

Ó Mestre! O mar se revolta:
As ondas nos dão pavor:
O céu se reveste de trevas:
Não temos um Salvador!
Não se te dá que morramos?
Podes assim dormir.
Se a cada momento nos vemos,
Sim, prestes a submergir?

    — “As ondas atendem ao meu mandar:
    Sossegai!
    Seja o encapelado mar
    A ira dos homens, o gênio do mal:
    Tais águas não podem a nau tragar,
    Que leva o Senhor, Rei do Céu e mar,
    Pois todos ouvem o meu mandar:
    Sossegai! — sossegai!
    Convosco estou para vos salvar:
    Sim, sossegai!”

Mestre, na minha tristeza
Estou quase a sucumbir:
A dor que perturba minha alma,
Oh! Peço-te, vem banir!
De ondas do mal que me encobrem,
Quem me fará sair?
Pereço, sem ti, oh! meu Mestre!
Vem logo, vem me acudir!

Mestre, chegou a bonança,
Em paz eis o céu e o mar!
O meu coração goza calma
Que não poderá findar.
Fica comigo, oh! meu Mestre,
Dono da Terra e Céu,
E assim chegarei bem seguro
Ao porto, destino meu.

HISTÓRIA DO HINO:

Mary Ann Baker, a autora deste lindo hino nasceu em 16 de setembro de 1831. A tuberculose ceifou a vida dos seus pais e deixou-a órfã em tenra idade. Moravam em Chicago com a irmã e o irmão. Esse, um moço de excepcionais qualidades de caráter, começou a sofrer efeitos desta terrível doença. Das suas escassas economias, as duas irmãs conseguiram recursos para que ele viajasse à Flórida, na esperança de que no clima mais ameno começasse a melhoria. Não lhes foi possível acompanha lo. Tudo em vão. Em poucas semanas o mal se agravou e o rapaz faleceu, longe do aconchego da família. Não havia dinheiro para as irmãs irem ao seu enterro, nem para transportar o seu corpo para Chicago. Mary escreveu sobre esta experiência assoladora:

“Embora nosso choro não fosse ‘como outros que não têm esperança’ e embora tivesse crido em Cristo desde menina e desejasse sempre viver uma vida consagrada e obediente, tornei me terrivelmente rebelde a esse desígnio da divina providência. Disse no meu coração que Deus não amava a mim, nem aos meus. Mas a própria voz do meu Mestre veio aclamar a tempestade no meu coração rebelde e me trouxe a calma de uma fé mais profunda e uma confiança mais perfeita.”

Depois disto, Mary Ann se empenhou de corpo e alma à União de Mulheres Cristãs Pela Temperança. Neste ministério teve oportunidade de observar, bem de perto, o sofrimento de irmãs, esposas e mães de alcoólatras cujas vidas naufragaram pelo degradante vício de beber. Depois de chorar com muitas destas mulheres ao lado da sepultura destes seus entes queridos, ela testificou: “Tenho chegado a sentir gratidão pelas doces memórias do meu irmão. O caminho de Deus é o melhor”.

Ao saber que seu hino também estava sendo uma grande benção em outros países. Mary Ann Baker disse: “Me surpreende muito que este humilde hino tenha atravessado os mares e sido cantado em terras bem distantes para a honra do nome do meu Salvador”.

Este hino logo foi incluído em outras coletâneas, Nos Estados Unidos, tornou se tão amado que, em 1881, quando o Presidente Garfield foi baleado, ficou ente a vida e a morte, e finalmente morreu, este hino foi usado repetidamente em cultos em sua homenagem. Foi neste ano que a autora também faleceu.

Sankey incluiu este hino em Sacred Songs and Solos (Cânticos e Solos Sacros-1881), que o difundiu ao redor do mundo. Provavelmente foi deste hinário que o saudoso missionário William Edwin Entzminger o traduziu para o português em 1903 e o incluiu no Cantor Cristão. Esta bela tradução, muito fiel à letra original, fez com que o hino se tornasse um dos favoritos dos evangélicos brasileiros, também incluído em outros hinários.

Letra original em inglês:

Master, the tempest is raging!

Master, the tempest is raging!
The billows are tossing high!
The sky is o’ershadow with blackness,
No shelter or help is nigh;
Carest Thou not that we perish?
How canst Thou lie asleep,
When each moment so madly is threatening
A grave in the angry deep?

Refrain

– The winds and the waves shall obey Thy will,
Peace, be still!
Whether the wrath of the storm tossed sea,
Or demons or men, or whatever it be
No waters can swallow the ship where lies
The Master of ocean, and earth, and skies;
They all shall sweetly obey Thy will,
Peace, be still! Peace, be still!
They all shall sweetly obey Thy will,
Peace, peace, be still!

Master, with anguish of spirit
I bow in my grief today;
The depths of my sad heart are troubled9
Oh, waken and save, I pray!
Torrents of sin and of anguish
Sweep o’er my sinking soul;
And I perish! I perish! dear Master
Oh, hasten, and take control.

Refrain

Master, the terror is over,
The elements sweetly rest;
Earth’s sun in the calm lake is mirrored,
And heaven’s within my breast;
Linger, O blessèd Redeemer!
Leave me alone no more;
And with joy I shall make the blest harbor,
And rest on the blissful shore.

Hino cantado pelo Coral Adventista. Hino número 379 no Hinário Adventista:

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