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Por Joacy Júnior

A Igreja de Cristo sempre precisou lidar com falsas doutrinas em seu meio. Portanto não é de hoje que a cruz é colocada de lado por alguns e relativizada por outros. Porém, em tempos mais remotos o que se via era um combate apologético mais veemente com os que desprezavam a cruz do nosso Salvador. A patrística está cheia de exemplos de homens que enfrentaram os oponentes de Cristo até mesmo em concílios.

Antes mesmo da Reforma Protestante do século XVI os chamados “pré reformadores” também vem seguindo o caminho da apologética denunciando os desvios doutrinários que relativizavam a cruz, e assim, a própria Reforma é culminada em um ambiente que fervilha descontentamento e encontra um contexto totalmente preparado para o grande combate apologético por parte daqueles que foram os responsáveis pela mudança de um contexto histórico.

Todos esses – os pais da igreja, os pré reformadores, bem como os reformadores – são vistos como verdadeiros heróis da fé na história da Igreja por boa parte da liderança atual. Porém, os mesmos pastores e líderes religiosos que os vêem assim, são os mesmos que tacham de rebeldes os que hoje combatem contra todas as heresias dentro dos arraiais evangélicos. Esses que estão transtornando o evangelho de Cristo são respeitados por uma turba de religiosos robotizados, programados a obedecê-los a qualquer custo.

Tais líderes tem um poder de hipnose sobre seus liderados; tais líderes são inquestionáveis para seus fãs; tais líderes estão acima do bem e do mal para esses cegos que se prostram diante desses ídolos como se fossem deuses.

Não, a ira de Deus não virá apenas sobre os que estão transtornando o evangelho (Fp.3.18-19), mas virá sobre todos os omissos, uma vez que a Bíblia insta a que sejamos militantes da fé evangélica (Fp.1.27, Jd.1.3), sobre todos os que o ceguem cegamente (Mt.23.15), sobre todos os que são convenientes com suas doutrinas espúrias de um evangelho maldito que eles apregoam (2Jo. 1.9-11).

Quando vejo os comentários nos blogs que leio chega a me dá um desânimo ao ver que alguns pastores, presbíteros e outros líderes eclesiásticos (quando se identificam como tais) repudiam nossas denúncias com argumentos tão pífios, tais como, “não toqueis nos ungidos…”, “ao invés de criticar vão fazer a obra”, “o que vocês têm feito para Deus?”, “quantas almas vocês têm ganhado?”, “não julgueis…” etc.. que chego a pensar se esses homens/mulheres não conhecem a Bíblia. Sim, porque se não conhecem por que, então, ocupam algum cargo eclesiástico? E se conhecem, mas pensam assim, são convenientes com esses falsos profetas (e isso não é julgamento, é apenas um entendimento bíblico, posto que segundo a Bíblia quem distorce o evangelho é anátema, isto é, maldito, são falsos profetas).

Entendo que esta realidade vivida pela igreja é oriunda do contexto histórico no qual estamos inseridos. Contexto este que é pontuado pelos especialistas como “Pós Moderno”, aliás, “especialidades”, é outro conceito fruto deste momento histórico.

Amorese[1] destaca o tripé deste período como pluralismo, individualismo e secularismo. Ora, uma sociedade plural tem diante de si opções em todos os âmbitos vivenciais. Assim, a igreja tem pregadores a gosto do freguês. Sem contar as inúmeras vertentes denominacionais que surge a todo momento. Basta o pastor achar que Deus falou com ele para ele romper com a igreja de origem e criar sua própria comunidade, causando divisão. O que dá a entender que Deus não está aprovando os que ficaram, mas apenas ele e seus manipulados. E assim Deus vai se tornando confuso, pois está sempre falando para alguém abrir uma “igrejola” de acordo com as vaidades do líder.

Neste mesmo ponto (pluralismo) é possível enxergar também o individualismo, posto que são as opções que fazem com que cada um busque aquilo que é melhor para si. E, nesta onda a igreja tem se deixado levar, pois as opções são muitas, criando crentes individualistas e “grupos individualistas”; desde o evangelho da quebra de maldições de Nelza Itioka às sandices de Renê Terra Nova. Mas o individualismo diz: “dá licença?”, relativizando a comunhão alcançada por Jesus na cruz.

O secularismo em linguagem simples é a tentativa de separar o secular do sagrado. Neste contexto fica o desafio da igreja combater tudo o que é plural e privado em prol da Causa do Reino. Porém, na prática essa tentativa fica muito vaga ou é totalmente anulada, pois a igreja tem se envolvido em tudo aquilo que de certa forma é inerente aos costumes do mundo trazendo escândalo para os que estão de fora. Entretanto, questões que vão lhes trazer vantagens pouco importa saber se é conveniente ou não. Aquilo que lhes é conveniente fazem questão de aplicar como verdade absoluta – sem saber que são exatamente esses absolutos o que relativiza a Cruz de Cristo – conceitos seculares dos mais esdrúxulos possíveis, posto que são doutrinas antropocêntricas, visando sempre favorecer a soberba humana.

Assim sendo temos a voz de Silas Malafaia e sua trupe fazendo ecoar o evangelho da prosperidade; temos R.R.Soares divulgando um evangelho com base nas confissões positivas, temos Edir Macedo, Valdemiro Santiago, os Hernandes e cia, vendendo as bênçãos de Deus a preço de banana (por mais alta que seja a “oferta”, é preço de banana comparada a Salvação e a todas as bênçãos procedentes da cruz de Cristo). Temos Renê Terra Nova fazendo lavagem cerebral em seus liderados e os convencendo à superstição numerológica nesta idolatria desenfreada pelo número 12. Enfim… Temos uma igreja feita de dinheiro forjada por homens feiticeiros, cujo provedor é Mamom.

O que temos presenciado neste momento histórico que a Igreja tem vivido é uma apostasia sem precedentes no seio da mesma, uma omissão gritante por parte de uma boa parcela dos evangélicos e uma apologética ainda tímida onde o senso de ética nos bloqueia a não bradar como João Batista: “Raça de víboras…” Lc.3.7

P.S. Faço essa análise com dor no coração por saber que a incoerência e a omissão de uma boa parcela da igreja evangélica está vendida e comungando, seja direta ou indiretamente, com esses falsos profetas e apóstolos modernos nestes tempos onde os dias são maus e a igreja a muito que pisou na cruz do seu Cristo e na sua história de milícia gloriosa em prol do verdadeiro Evangelho.

Sempre em Cristo… que em breve virá para separar o joio do trigo.
Joacy Júnior

[1] AMORESE, Rubens Martins. Icabode – da Mente de Cristo à Consciencia Moderna.Ultimato.

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Joacy Júnior é teólogo, torcedor do São Paulo e editor do blog Pela Volta ao Evangelho e parceiro dos Blogs Arte de Chocar e Púlpito Cristão.

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