Tags

, ,

Por Samuel Torralbo

A Igreja sempre enfrentou heresias que procuraram em todo tempo deturpar, miscigenar ou adulterar a simplicidade do Evangelho de Cristo. De modo que, a própria definição de heresia carrega o significado de contradição ao Evangelho de Cristo, o que significa desviar-se da consciência universal dos ensinamentos bíblicos em relação a Deus e Sua obra em Cristo Jesus. Comumente as heresias sempre nasceram dentro do próprio berço ou contexto do cristianismo, tornando sua identificação ainda mais difícil.

Porém, as manifestações das heresias sempre seguiram um roteiro (script) – 1) incompatibilidade com a doutrina bíblica – 2) liderança eclesiástica com autoridade superior das escrituras sagradas – 3) inquietação com a simplicidade e necessidade de modismos – 4) deturpação doutrinária conforme as demandas humanas dentro do contexto histórico especifico.  De modo que, as heresias em síntese é a manifestação de uma teologia apóstata que deseja autenticar “o outro evangelho” com a finalidade ultima de fundamentar a rebelião do homem em relação a Deus – que se manifesta de diversas maneiras.

É interessante observar que as heresias sempre vestiram a roupagem da época com o objetivo de tornar-se mais atrativa e aceita – nos primeiros séculos da era cristã algumas heresias se manifestaram através da consciência da autonegação, repressão, anulação da graça e restrições, levando o apóstolo Paulo a denunciar em suas palavras aos Colossenses : “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.”Cl 2.20-23

Os mestres judaizantes procuravam subverter os ensinamentos de Cristo através de elementos extra – graça, que objetivava apenas a exaltação da glória humana. Porém, a manifestação destes elementos estava atrelada ao espírito coletivo da época. Sendo que, nos três primeiros séculos da era cristã, tanto a sociedade do oriente médio como os do oriente próximo foram marcados por revoluções e guerras – impedindo assim, a busca exagerada por valores atrelados a objetos, conforto ou coisas temporais, muito característicos de sociedades abastadas.

De modo que, na história do cristianismo até a revolução industrial (iniciada no Reino Unido em meados do século XVIII, expandindo para o mundo no século XIX), as heresias comumente manifestaram-se na subjetividade religiosa – através de radicalismos, arbitrariedades, autoflagelação, indulgências e outros comportamentos que buscava o reconhecimento divino e humano. Por exemplo, a igreja Medieval não enfrentou problemas com a teologia da prosperidade. As indulgencias mediada pela igreja romana objetivava a garantia da salvação na eternidade e não o bem estar na terra – isto se dava principalmente por causa do fenômeno socioeconômico da época, onde a sociedade convivia com a escassez diária, restando apenas o medo do inferno e a esperança de desfrutarem depois da morte uma eternidade mais tranquila e digna através das garantias vendidas pela igreja.

Com a chegada da revolução industrial, do iluminismo e com o paraíso utópico prometido pela modernidade, a humanidade se mobilizou em alcançar a ilha paradisíaca do conforto e do materialismo – onde a razão, a ciência e o consumo tornar-se-iam os deuses daquela era. De modo que, em nossos dias a herança do século passado ainda habita o coração do homem pós-moderno que começa lentamente a descobrir que o sonho da modernidade está se tornando em pesadelo na pós modernidade.  Sendo assim, a partir das mudanças dos paradigmas que aconteceram após o século XVIII, onde o homem aos pouco foi se tornando uma maquina de consumo e alvo de marketing de grandes empresas e instituições, as heresias também mudaram seu conteúdo e discurso.

Enquanto que, até o século XVII, grande parte do conteúdo das heresias operava através de afirmações como: “não pode”, “é proibido”, “priva-se”, “não toque”, não coma”, “negue-se ou reprima-se”, a partir da idade moderna o discurso foi sendo modificado sutilmente para outro polo, onde expressões como “você pode”, “você merece”, “você nasceu para…”, ou “você é o centro do universo”, foram se tornando cada vez mais comum.

De modo que, para o Diabo tanto faz enganar o homem no egoísmo da religiosidade, ou na luxuria de um prostibulo, contanto que o mesmo não conheça a simplicidade e o poder do Evangelho. É indiferente para as heresias terem de tramitar entre a repressão que o radicalismo proporciona, ou a banalização que liberalismo gera. Os dois extremos (radicalismo e liberalismo) sempre serão as vias que as heresias utilizarão para destilar seu veneno. De contrapartida, segundo a via do Evangelho é de fortaleza, amor e moderação. (2 Tg 1.7)

Paz a todos em Cristo,

Anderson Alcides.

Via Púlpito Cristão

Anúncios