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Novidades. Algo novo. Brand new.

Neste século, informações não chegam ou voam. Elas praticamente “explodem” em nossa cara em todo o tempo. Ligue o seu PC, com seu smartphone ou tablet em mãos, a cada segundo – ou milésimo – uma informação, uma notícia “nova” aparece. São alimentados através de aplicativos ou feeds. Este blog é um exemplo também – que ironia!

Ficamos meio “malucos” – pelo menos eu -, já que acompanhar tanta informação é praticamente impossível. Quando esperamos comentar a respeito de uma matéria em uma roda de amigos, por exemplo, este assunto já ficou defasado. É impressionante. Ironicamente a mídia sabe usar isto muito bem, para desviar dos assuntos da política, da sociedade, sobre corrupção, com informações inúteis – como por exemplo um cachorro que ajuda seu amigo canino a atravessar uma avenida movimentada – e todos nós dizemos: “Oh que bonito! Que lindo”. Este se torna o assunto do dia e esquecemos das CPIs, dos escândalos, e por aí vai.

Nossa geração experimenta hoje muita informação – e não tem conhecimento. Na busca de aprender, recebemos enxorradas de informações, mas não conseguimos digeri-las direito, e ao invés de nos fazer bem, esta “digestão” vira uma “congestão”. Com resultado, não sabemos discernir, ter senso crítico e ficamos confusos. Um quebra-cabeça de dar “nó”. Tudo fica bagunçado.

Seja pelo fato da ansiedade em saber mais e mais, aliado ao fator  tempo – onde tudo é pra ontem – não investimos tempo na leitura, em momentos  de tranquilidade, de silêncio, de ficar a sós para reflexão, oração, comunhão.

A velocidade se tornou um aliado, porém ao mesmo tempo, um vilão. Somos tão ávidos por novidades que involuntariamente, em chats e mensageiros instantâneos, sempre tem alguém que pergunta: “E aew, qual a novi?”

O mercado fonográfico é um exemplo gritante. Todo dia, um disco novo de uma banda ou grupo antigo aparece. Remakes, coletâneas, “as melhores de”, ou, um banda ou grupo novo surge, desponta.

Um mercado que fatura milhões por ano em busca de novidades – e sempre tem alguém querendo ser a “cereja do bolo” da vez. A mídia criou reality shows para isso, para alimentar este mercado. Sempre alguém neste mercado está querendo ser a novidade.

A Revista Veja, na Edição 23/05/2012, com uma matéria intitulada “Deus é Pop”, escrita pelo jornalista Sérgio Martins, trás uma matéria onde é enfatizado o espaço que a música evangélica está ocupando no mercado fonográfico brasileiro.

Destacando nomes como Aline Barros e Damares, o jornalista Sérgio Martins apresenta números que demonstram que os CD’s do segmento evangélico já ocupam o segundo lugar em vendas no país, perdendo apenas para o estilo sertanejo. Em 2010 o segmento faturou 1,5 bilhão de reais.

Segundo a Veja, as músicas evangélicas cada vez ultrapassam os limites do público que frequenta as igrejas evangélicas. Depois que programas seculares como Raul Gil, Eliane e Xuxa abriram espaço para os cantores que outrora cantavam apenas especificamente para o público evangélico, o horizonte tem ficado cada vez mais aberto.

Alguns advogam a favor, dizendo que é uma grande vitória para o Evangelho e para os evangélicos (?) – não vejo que vitória é esta, já que quem está sendo exaltado é o homem e não o Senhor.

Enquanto alguns veem com otimismo o crescimento da “onda gospel” e deste gênero musical (que na realidade surgiu nos corais dos Estados Unidos), eu creio que 90% deste crescimento reflete o poder econômico e retorno financeiro que este mercado oferece. Tanto do lado do “artista gospel” (sic), como do fã gospel (sic), há culpa. O primeiro por não fazer mais músicas bíblicas, cristocêntricas (em sua maioria), com o único objetivo de adorar e engradecer o Altíssimo. O segundo por pegar o bonde andando e ficar alienado, achando que tá tudo bem, tem unção, que é ungido, uma bênção.

Pra se ter uma ideia, pare para conversar com alguém que não seja cristão no sentido correto da palavra. Você ouvirá dela que gosta de músicas gospel, que ouve vários cantores, que acha muito bom porque trás paz, uma energia positiva.

Observo isto no cotidiano. Recentemente ao cruzar por um colega, o ouvi cantarolar uma canção bem conhecida, que clama ao Senhor para mexer com as estruturas da sua vida. E eu pensei: Será que ela sabe realmente o que está cantando? Tem ciência de quão sério é esta letra? Do peso dela?

Não são poucos os ministérios de música em nossas igrejas que, ao começar a melhorar em suas técnicas, já pensam: “Vamos gravar um CD”. Sim, e para quê? A resposta é instantânea: “Vamos evangelizar, ganhar as nações, pregar o Evagelho”. Eu retrucaria: “Será que esta é mesmo a motivação certa?”

Não posso dizer que dos 100%, a motivação seja equivocada. Alguns realmente têm boas intenções, porém, são raríssimos aqueles que ainda gravam sem pretensão de sair ministrando Brasil afora (e países), ganhando dinheiro. Alguns ainda vendem seus CDs unicamente para abençoar vidas (e muitos deste cenário gospel dizem isto também). Porém, convide-os para ministrar na sua igreja, você poderá ouvir o seguinte: “Amado, é R$ 20 mil reais”. (sic).

Alguns dias atrás, um irmão me disse que está montando um ministério de louvor, e no meio da conversa, ao ser questionado o motivo da empreitada, disse que era pregar o evangelho através da música.

Primeiro, vamos separar as coisas. Ninguém prega cantando. Afinal a mensagem deve ser pregada, dita, falada.

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?” Romanos 10:14

Não é, “… como ouvirão, se não há quem cante”.

Segundo, a música é uma das formas com que podemos exaltar a Deus, louvá-lo por Seus feitos e sua grandiosidade. E louvor deve ser feito com entendimento, com a mente. É necessário saber e entender o que eu estou fazendo, o motivo.

“Cantai louvores a Deus, cantai louvores; cantai louvores ao nosso Rei, cantai louvores. Pois Deus é o Rei de toda a terra, cantai louvores com inteligência.” Salmos 47:6-7

Foi-se o tempo de grupos como Vencedores por Cristo que gravaram unicamente para lembrarem suas músicas e composições, abençoar igrejas, e com isso abençoaram milhares de vidas no Brasil – eu fui um deles, mesmo na época sendo criança.

Diante disto, vamos questionar: Deus está sendo exaltado? Música produz arrependimento e mudança de vida? A Igreja brasileira está no caminho certo?

Eu receio que não. E este assunto tem muito a ser debatido para colocar expressar somente nestas linhas.

Soli Deo Gloria,

Anderson Alcides

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