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Arrumando algumas coisas em casa num final de semana, entre CDs, DVDs, apostilas, livros e revistas, me deparei com uma edição da Revista Eclésia de Abril, ano 2003. Como de costume nestas arrumações que sempre faço, entre folhear apostilas, revistas e livros, parei na Eclésia e, observei uma matéria, que antes não tinha lido. De maneira muito sábia, o téologo, educador e escritor Lourenço Stelio Rega, discorre sobre um assunto que nos últimos dias está mais em evidência, mas que há 07 anos atrás já apontava um problema da Igreja. O título da matéria é “Bênção garantida ou sua fé de volta”.

Fato que a “vitoliatria”, o culto à bênção, foco nesta terra e nas coisas desta vida, a prosperidade financeira, têm sutilmente seduzido muitos cristãos. A passagem no Livro de Mateus em que Jesus diz para não nos preocuparmos com o que havemos de comer, beber ou vestir, parece não fazer mais sentido em muitos arraiais e tampouco é pregada.

Vitória à luz da bíblia, não é mais entendida, seja porque nós crentes queremos ou disfarçamos isto. Maurício Zágari, discorre também no livro A Verdadeira Vitória do Cristão, Editora Anno Domini. Eu recomendo a leitura do livro.

“Percebi uma triste realidade que nós, cristãos, fingimos não ver ou então disfarçamos. Inúmeras vezes, a compra do carro não sai como queremos, não conseguimos dinheiro para o aluguel, pessoas morrem sem nunca ter obtido sua cura, o marido permanece alcoólatra, o filho traficante é fuzilado sem ter se convertido, perde-se a causa na justiça, não se consegue o emprego pretendido e muitas outras necessidades ou desejos que temos nesta vida nunca são satisfeitos. Muitos financeiramente pobres se convertem, vivem uma vida de fé autêntica, sendo pobres, e deixam esta vida tão pobres como antes. Constatar esse fato foi um choque. Se Deus garantia a mim e a meus irmãos nesta vida, como explicar que diariamente eu e eles tivéssemos de encarar situações que evidenciavam a ‘derrota’ em uma série de circunstâncias?” [Grifo meu]

O livro me ajudou na minha caminhada cristã e respondeu à várias perguntas que antes, as respostas que eu obtinha e que estavam arraigadas em meu coração, colocavam um peso enorme sobre mim. Entre estas respostas, uma era “Minha fé era pouca”.

Não muito diferente do século XVI, nosso presente século precisa de uma reforma na Igreja novamente. O que se vendia naquele tempo era salvação, hoje a moeda de troca e comércio são as bênçãos e vitória.

Analisando algumas mensagens que supostamente pregam o Evangelho na televisão, é possível imaginar que bênção virou produto comercial. Fatos recentes, espúrios, rídiculos que chegam a dar asco, são casos como “o martelo da bênção”, “a unção dos 900 reais” “tapetes de fogo”, “óleos ungidos” e etc. Basta dar uma ‘passeada’ noYoutube, você virá muitos mais.

O foco está em oferecer ao ouvinte um Evangelho centralizado nos interesses humanos – a vontade do Senhor não mais importa – como se a porta do céu fosse bem larga a ponto de permitir a passagem de qualquer um, dispensando-se o necessário caminho do arrependimento.

Quem não gostaria de receber benefícios, especialmente neste mundo de carência, sofrimento, solidão e violência? Afinal não há uma promessa de vida abundante? O que muitos interpretam errado é que esta passagem de vida abundante fala de vida eterna e não aqui.

Bastou ter fé e dar a oferta – afinal, nada é de graça. E se a oração não deu certo, a bênção não veio, a promoção não chegou,não consegui comprar meu carro, não passei no vestibular e mais recentemente – não fui eleito para o Congresso Nacional? Simples: a fé foi pequena.

Mas quero te alertar. Não há um PROCON para bênçãos não recebidas, porque infelizmente meu amado, você não receberá sua oferta de volta. Muitos líderes ainda dizem: “Contribua com mais fé, assim a bênção será certeira.

Necessário entendermos o que na realidade é bênção – do ponto de vista humano ou de Deus então?

“Se pensarmos em bênção apenas do ponto de vista humano, como entender situações na Bíblia que indicam que o cristão não está isento do sofrimento?” [trecho da Revista Eclésia]

Meu irmão se alguém disser pra você que você não nasceu pra sofrer, quero te avisar que realmente Deus não nos criou para o sofrimento, entretanto tenho que “jogar um balde de água fria” em você e te dar um empurrão pra que você caia na realidade: Sofrer faz parte da vida e teremos sofrimento por vezes em nossa peregrinação.

Onde está o alento para isto então? Na eternidade. Numa cidade onde há ruas de ouro, onde não haverá mais choros e nem lágrimas. Cristo a esperança da glória.

Paulo, o apóstolo disse: “Estou admirado de que tão depressa estejais desertando daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho”.

Os pregadores da bênção em troca do lucro são fruto desta época, na qual a verdade tem sido falseada.

Sejamos sinceros: pregar o Evangelho a partir da máxima “Negue-se a si mesmo, a cada dia, tome a sua cruz e siga a  Cristo” não enche templo, barriga de pastores de vida nababesca e muito menos o caixa da igreja. Então sobra perverter o sentido da mensagem, pois é isso que funciona e enche a barriga não é verdade?

Afinal, buscar o reino de Deus e sua justiça não faz mais sentido?!! Deus não cuida mais de nós?

Que o Senhor tenha misericórdia de nós. Que abra os olhos de muitos pastores que se enveredaram por estes caminhos. Que voltemos à sã doutrina.

Sola Scriptura, Sola Gratia, Solu Christus, Sola Fide, Soli Deo Gloria.

Paz,

Anderson Alcides.

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